Publicado 03 de Agosto de 2015 - 20h09

Por Gustavo Abdel

A pichação em tinta preta foi apagada na manhã de sábado por uma empresária e sua filha de 9 anos

Divulgação

A pichação em tinta preta foi apagada na manhã de sábado por uma empresária e sua filha de 9 anos

Uma pichação de conteúdo preconceituoso e de apologia ao nazismo direcionada à comunidade haitiana de Nova Odessa foi gravada no muro do cemitério municipal, na região central. Com os dizeres em inglês “Back to Haiti” (Voltem para o Haiti, em português) e uma suástica ao lado da frase, a pichação causou espanto àqueles que passam diariamente pelo local. A pichação em tinta preta foi apagada na manhã de sábado (1º) por uma empresária e sua filha de 9 anos. A Guarda Municipal (GM) informou que os vândalos ainda não foram identificados e não há outros casos registrados.

Assim como Campinas, que possui aproximadamente 900 imigrantes haitianos, cidades da região, inclusive Nova Odessa, recebem semanalmente imigrantes vindos principalmente de um acordo do ministério da Justiça com o Estado do Acre — território que os imigrantes encontraram para entrar no Brasil através do Peru. O “recado” pichado na semana passada, segundo moradores, foi feito na Rua Heitor Penteado pois por ali passam diariamente alguns haitianos que trabalham no Centro. Somente um supermercado de Nova Odessa já empregou 15 haitianos desde 2011, nos diversos setores.

A empresária e política Carol Moura disse que estava passando com a sua filha e mais algumas crianças, de carro, à caminho de uma sorveteria, quando se depararam com a pichação. “Fiquei indignada com aquilo e enquanto a gente tomava um sorvete expliquei para as crianças qual o significado da suástica e que se tratou de um dos episódios mais tristes que a humanidade já viu”, disse. No sábado, ela e a filha retornaram ao endereço e com uma lata de tinta e pincéis cobriram a ofensa. “É um ato de cidadania o que eu fiz. Imagina se essa frase estivesse pichada contra brasileiros, em um cemitério, onde quer que fosse? É um absurdo”, comparou.

A atitude de pintar a pichação ganhou aplausos nas redes sociais, mas também comentários criticando a postura da política, que já foi candidata a prefeita de Nova Odessa. Alguns comentários alegam que ela quer se promover em cima de temas sociais. Outra postagem que recebeu repúdio de alguns moradores foi quando Carol postou uma foto onde fornecia um lanche a um morador em situação de rua. “Se fazemos é política, se não fazemos é por que somos omissos. Nesse caso a imagem foi registrada por uma cidadã, que passou pelo local e me viu cobrindo a pichação e colocou nas redes sociais”, disse. Seus filhos sempre a acompanharam em ações sociais, disse.

Lei

A Lei 7.716/1989, em seu artigo 20, prevê pena de reclusão de um a três anos e multa para quem for flagrado fabricando, comercializando, distribuindo ou veiculando símbolos, emblemas e propagandas que utilizem a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.

A Prefeitura de Nova Odessa informou que não possui um levantamento exclusivo de quantos haitianos estão na cidade, e que não desenvolve projetos específicos para essa comunidade. “Em relação aos haitianos, a Administração, através da Diretoria de Promoção Social auxilia, quando solicitada, com doação de cestas básicas ou através de projetos como o ‘Viva Leite’, desde que se enquadrem no perfil solicitado. O atendimento dado a eles é o mesmo dado a outras pessoas que procuram por auxílio na Prefeitura”, informou a secretaria.

Com o remetente Movimento Homofobia Já (MHJ), uma carta com fortes ameaças e contendo uma suástica foi enviada em 2013 para um casal de lésbicas de Santa Bárbara d’Oeste exigindo que elas saíssem do bairro Mollon. A carta alegava que já havia conseguido (Movimento Homofobia) “ficar livres de outras duas casas assim. Temos nossos métodos”. O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Polícia de Americana.

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Gustavo Abdel