Publicado 16 de Julho de 2015 - 18h05

Por Adagoberto F. Baptista

A foto onde aparece Regina na maca ela pediu para que colocamos alguma camuflagem em seu rosto, por favor

Fotos: Divulgação

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A alta médica de uma paciente com problemas cardíacos graves da Unidade Semi-Intensiva do Hospital Dr. Mário Gatti sem o encaminhamento para outro hospital gerou revolta de parentes. Uma das irmãs da paciente afirma que foi agredida por quatro seguranças no instante em que tentava impedir a alta da familiar - que tem 54 anos e precisa passar por procedimentos cirúrgicos com urgência. A parente teria levado uma “gravata”, ficado sem ar e batido a cabeça no chão, segundo relatos. Além disso, foi amarrada em uma maca e seu corpo ficou inteiro com hematomas. O hospital nega a ação truculenta.

De acordo com familiares e amigos da paciente R.B., ela foi internada no dia 5 de julho na Unidade Semi-Intensiva da sala amarela do hospital e diagnosticada com insuficiência cardíaca e água nos pulmões. No início do mês, no entanto, a paciente já havia sido diagnosticada com pneumonia, mas foi medica e liberada.

“Falaram que iam dar alta para ela, e que o hospital não teria estrutura para mantê-la. Eles deveriam ter me orientado a ir no ambulatório do próprio Mário Gatti para poder agendar uma consulta com o cardiologista do próprio hospital, e esse profissional a encaminharia para outro hospital onde ela possa fazer a cirurgia. Nada disso foi feito”, explicou a irmã da paciente, Regina Ghanen, de 50 anos.

Dessa forma, segundo a irmã, R.B., está desassistida no momento, e diagnosticada com sérios problemas cardíacos, dentre eles insuficiência na válvula mitral e redução na contração do coração. “Ela precisa de cirurgia urgente, e agora vou ter que fazer todo o caminho novamente, com minha irmã extremamente debilitada em casa”, revoltou-se Regina.

Com hematomas espalhados pelo pescoço, braços, costas e pernas, a lojista disse que primeiro resolverá a situação da irmã para então registrar a ocorrência na Polícia Civil. Ela relata que foi amarrada em uma maca e colocada em um consultório. “Consegui me desvencilhar as faixas e sai do hospital pelos fundos”. Ela admitiu que quebrou um vidro da unidade no momento em que outra irmã tentava lhe segurar, mas que não teve a intenção. “Um dos rapazes que me segurou por trás e me xingava com nomes horríveis, e de tanto que me estrangulou pensei que iria morrer”, relatou.

Regina disse que procurou outro hospital para tentar internar a irmã, mas foi informada que para isso precisaria de um encaminhamento do próprio Mário Gatti, onde inicialmente foi assistida. R.B. precisa de um acompanhamento frequente de um cardiologista. A cirurgia para o problema cardíaco de R. custa em média R$ 50 mil, e é realizada através do SUS (Sistema Único de Saúde).

De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, a paciente recebeu alta médica “assim que teve condições clínicas”. Informou ainda que R. recebeu tratamento adequado em unidade sem-intensiva. “Com relação à continuidade de tratamento, a paciente poderia ser encaminhada para outro hospital, mesmo sem encaminhamento médico, caso haja necessidade, o que não foi apontado no prontuário”, informou, em nota.

Sobre o tratamento que Regina recebeu ao ser amarrada, a assessoria alegou que “ela teve uma crise de ansiedade, precisando, inclusive, de atendimento médico na unidade”.

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Adagoberto F. Baptista