Publicado 16 de Julho de 2015 - 17h33

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: Janaína

Vídeo: Shana

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A morte de um bebê de seis meses, possivelmente por asfixia, na creche municipal Josephin Tagliari, em Artur Nogueira, causou comoção na cidade e abalou a família. O bebê, um menino, morreu na manhã de quarta-feira, quando foi encontrado aparentemente asfixiado em um dos berços da unidade infantil, no bairro Jardim Planalto. Ele foi levado ao Pronto Socorro (PS) municipal e reanimado. Depois, de ambulância, foi levado para o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas não resitiu.

Segundo a administração da creche, o bebê foi amamentado, com as outras 12 crianças do berçário, por volta de 8 horas. Após mamarem, as 13 crianças teriam ficado acordadas sobre os cuidados de três funcionárias do berçário. Às 9h, as crianças foram levadas para os berços. Minutos depois, uma das cuidadoras percebeu que o bebê estava quieto, sem movimento. Quando pegou a criança no colo, a funcionária viu que a pele dele estava com uma cor diferente, arroxeado.

A funcionária começou a massagem cardíaca, para reanimar a criança. Em seguida, levou de carro o menino para o Pronto Socorro (PS) municipal, que funciona no hospital Bom Samaritano. O bebê chegou sem vida ao hospital, mas foi reanimado. Em seguida foi encaminhado para o HC da Unicamp, em Campinas, mas teve parada cardiorrespiratória na ambulância e chegou morto ao hospital. A Polícia Civil de Artur Nogueira investiga o caso. O Instituto Médico Legal (IML) de Campinas também analisa a causa da morte.

A família está abalada e o caso chocou a cidade. O pai, Carlos Robson Gonçalves Dias, de 27 anos, contou que a família aguarda o resultado da autópsia para verificar se houve negligência da creche que possa ter prejudicado a saúde do bebê. Ele diz que o filho era saudável e muito alegre. Não tinha histórico de refluxo e tinha voltado essa semana para a creche, após se recuperar de uma gripe.

“Seria mais reconfortante se não for uma imprudência da creche ou do hospital [de Artur Nogueira]. Um reconforto para nós, os pais. Mas se for, teremos que processar. Era um bebê lindo, que só trazia alegria”, disse ele.

A mãe, Andressa Villar, de 21 anos, estava chocada e chegou a desmaiar no velório. A criança era o primeiro filho do casal. Ele foi sepultado ontem, no cemitério municipal de Artur Nogueira. “Quando deixei meu filho na creche, às 7h10, fiquei preocupado. Tinha muita criança para pouca funcionário. Minha mulher mandou uma mensagem perguntando se estava tudo bem. Eu respondi que sim, mas receoso. Quando recebi a ligação, fui correndo ver o que tinha acontecido, mas não imaginava que era tão grave”, disse o pai.

O bebê era o primeiro filho do casal. Ele havia voltado na quarta-feira para a unidade, após ficar uma semana ausente em tratamento porque pegou gripe. O pai disse que ele ficou doente após ficar cinco dias na creche, em adaptação. “Nesse período em casa, ele engordou, estava bem. Não tinha histórico de refluxo. Queremos saber o que aconteceu”, disse.

A creche só volta a funcionar na segunda-feira, 20, em luto pela morte. A Prefeitura de Artur Nogueira determinou a abertura de sindicância para apurar os fatos. A creche atende 150 crianças e conta com 27 funcionários.

De acordo com a Administração, após o ocorrido, o Secretário de Educação João Gazolli, a diretora de educação infantil Cristiane Martins Scandolara, uma assistente social e uma psicóloga prestaram solidariedade e apoio psicológico aos pais.

Intertítulo - Choque

O caso tomou conta da cidade, que comenta a morte do bebê e a tristeza da família. Uma funcionária da creche São Francisco de Assis, no Central, que pediu para não ser identificada, disse ao Correio Popular que ontem duas mães ligaram preocupadas com os riscos de deixarem crianças nas unidades do município. “É muito triste, e as funcionárias ficaram muito abaladas. A que tentou reanimar o bebê não conseguiu dormir a noite”, disse.

A dona de casa Maria Fernanda de Almeida, de 25 anos, disse que houve despreparo da creche e do hospital em lidar com a situação. Ela mora no bairro Jardim Planalto, em frente a creche Josephin Tagliari e duas de seus três filhos ficaram na unidade. “Tirei a minha filha do meio, de 3 anos, porque ela voltava com a fralda encharcada de xixi. Parecia que não tinha gente para cuidar. E, em um caso como esse, que precisa ter noção de primeiros socorros, as meninas [que trabalham] devem estar preparadas”, disse. Maria Fernanda acredita também que faltou colocar o bebê para arrotar ou deitá-lo de lado no berço. “É simples, até quem não tem bebê sabe. Foi negligência”, disse.

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Sarah Brito Moretto