Publicado 16 de Julho de 2015 - 12h10

Por Delminda Aparecida Medeiros

65 Anos de Cinema de Arte em Campinas

Delma Medeiros

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Uma exposição no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) marca os 65 anos da chegada dos cineclubes e cinemas de arte em Campinas. E para contar essa história, a mostra tem que falar de Marino Ziggiatti, presidente do CCLA e entusiasta do cinema de arte, que trouxe para Campinas a experiência que adquiriu em São Paulo, na década de 1940, quando foi estudar na capital e se tornou frequentador do cineclube que funcionava no espaço que viria a ser o Museu de Arte de São Paulo (Masp), que exibia filmes que ficavam fora do circuito hollywoodiano. “A exposição é contado pelo Marino Ziggiatti. Por meio dos depoimentos dele criei uma linha do tempo a partir de 1950, data em que surgem os primeiros registros de cinema de arte em Campinas. Mas pode ter experiências anteriores das quais não temos informações, já que no Brasil, o primeiro cineclube surgiu no Rio de Janeiro nos anos 1920”, explica o jornalista João Antonio Buhrer de Almeida, curador da mostra.

“Graças ao entusiasmo de Ziggiatti, Campinas exibiu filmes que dificilmente teriam espaço nas redes comerciais de cinema”, diz Almeida. Uma desses raridades foi a exibição de Cidadão Kane, de Orson Wells, passado pelo cineblube do CCLA em 1967, quase que simultaneamente às primeiras exibições no Brasil. Segundo Almeida, em 1950, quando voltou a Campinas, depois de se formar engenheiro, Ziggiatti percebeu que a engenharia era pouco e começou a se envolver também com arquitetura e cinema de arte. A primeira experiência foi no Clube de Cinema da Associação Campineira de Imprensa (ACI), depois o cineclube da Sociedade Reunidas, que agregava advogados, médicos e engenheiros; e finalmente a criação do Departamento de Cinema do CCLA.

O primeiro filme a ser exibido pelo Clube de Cinema da ACI foi o clássico João da Mata, de Amilcar Alves, de 1923, e que estava esquecido. O longa de cinema mudo foi produzido em Campinas por José Ziggiatti, pai de Marino, que encontrou por acaso em sua casa as latas com as fitas. “A fita foi passada com enorme sucesso no Teatro Municipal de Campinas”, conta Almeida.

Como cineclube, o Departamento de Cinema do CCLA, organizava ciclos e oficinas sobre cinema, palestras, festivais e exibição de filmes. Seu primeiro ciclo foi 10 Anos de Cinema de Arte, em 1955. A partir daí grandes especialistas no assunto, como Carlos Vieira, Gustavo Dahl, Jean Claude Bernadet, Rudá Andrade e Paulo Emilio Salles Gomes passaram a vir a Campinas proferir palestras e debates sobre filmes de arte. Foram exibidos ciclos importantes, como os de Federico Fellini, Albert Lamorisse, Cinema Infantil, Revisão do Cinema Italiano, Cinema Francês, Alemão, Iraniano e Ficção Científica.

“A mostra busca resgatar toda a trajetória do cinema de arte do CCLA, que atualmente está inativo, mas se manteve em funcionamento até cerca de três anos atrás”, informa Almeida. A exposição traz fotos, matérias de jornal, documentos, livros e linha do tempo com as lembranças de Ziggiatti. Os livros estão expostos numa certa ordem e, portanto, não podem ser manuseados durante a mostra, exceto com a presença do curador. Mas, a maior parte pertence ao acervo da Biblioteca do CCLA e poderá ser consultada no local após a exposição.

Agende-se

O quê: Exposição 65 Anos de Cinema de Arte em Campinas.

Quando: Até 14/8, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h

Onde: CCLA - Centro de Ciências Letras e Artes (Rua Bernardino de Campo, 989, Centro, fone: 3231-2567)

Quanto: Entrada franca

Escrito por:

Delminda Aparecida Medeiros