Publicado 16 de Julho de 2015 - 14h04

Por Rogério Verzignasse

Fotos do acervo mandadas para o digital:

tem tomada do filme Fernão Dias, ingresso do cinema, ftoos de época do Lago do Cisnes (onde foi construído o terminal) e toso da demolição do teatro com a cúpula da catedral ao fundo)

À tarde, foto marcada da Maria Elena Bernardes no MIS, onde a mostra é montada

Acervo ||| Unicamp

Mostra celebra 30 anos do Centro de Memória

Ocupação que abre ao público amanhã resgata episódios marcantes da história da cidade

Visitante vai

ganhar monóculo

com foto antiga

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O campineiro que passar pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) neste mês vai ter a oportunidade imperdível de conhecer um acervo que resgata episódios importantes da história da cidade. A ocupação montada nas dependências do tradicional Palácio dos Azulejos marca os 30 anos do Centro da Memória da Unicamp (CMU), organismo que ao longo das décadas arrecadou, recuperou e passou a preservar adequadamente conjuntos documentais valiosos. São processos, manuscritos, fotografias de época, microfilmes.

A ocupação vem sendo planejada desde o ano passado. Os técnicos do CMU, com a ajuda de curadoria especializada, organizaram a mostra em quatro núcleos distintos. O primeiro deles vasculha episódios que nortearam a criação do centro, em 1985, a partir do empenho pessoal do historiador José Roberto do Amaral Lapa, que faleceu no ano 2000.

O segundo núcleo vasculha a experiência cinematográfica em Campinas na década de 50. O trabalho é focado na produção do filme Fernão Dias, dirigido por Alfredo Roberto Alves e rodado na cidade pela Cine-Produtora Campineira (CPC). A partir do conjunto documental da produtora, doado ao CMU em 1991, foram escolhidas para a mostra fotografias das gravações, anúncios veiculados na imprensa, contratos e contabilidade da obra, ingressos, cartazes das exibições e, logicamente, o próprio filme.

Quem passar pela mostra vai se emocionar com tomadas resgatadas do filme, onde os artistas como Plácido Soave e Mara Mesquita encarnavam personagens da peça teatral escrita por Amilar Alves e, rodado em Campinas, ganhou as telonas. Detalhe: no lançamento, o ingresso no Cine Ouro Verde custava 50 cruzeiros, e a arrecadação foi entregue a Sociedade Campineira de Recuperação da Criança Paralítica. Nobre: a arte ajudava a manter obra social.

O núcleo Dos conjuntos documentais aos livros: uma história de produção intelectual mostra os desdobramentos possíveis a partir de um mesmo documento. Se enfatiza os múltiplos significados que emergem quando um documento é usado como fonte de pesquisa, gerando teses ou livros. Procura-se mostrar a força do acervo do CMU em pesquisas que extrapolaram a dimensão regional e ganham o mundo: a pesquisa irradia a partir da Unicamp.

E, claro, a ocupação no MIS celebra principalmente a vocação do CMU em mostrar, através de fragmentos do passado, a saga de formação da cidade. O último núcleo da exposição foi montado com fotografias antigas selecionadas. As imagens passaram por um cuidadoso trabalho de restauro e edição para que pudessem ser expostas ou ampliadas em grande formato: parte delas com mais de dois metros de altura. Algumas, inclusive, poderão ser levadas para casa: serão distribuídos monóculos com fotografias antigas de Campinas aos visitantes.

A Ocupação CMU 30 anos é uma realização do Centro de Memória, com patrocínio do Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e Extensão (Faepex), do gabinete do reitor e do Grupo Gestor de Benefícios Sociais (GGBS) da Unicamp. A coordenadora geral do evento, Maria Elena Bernardes, convidou a professora Iara Lis Schiavinatto, do Instituto de Artes da Unicamp, para assumir a curadoria. Segundo Marli Marcondes, coordenadora executiva do evento e especialista em conservação de acervos, a ocupação revela como é o trabalho dentro do CMU.

SERVIÇO

A Ocupação CMU 30 Anos abre com uma vernissage marcada para às 19h30 de hoje (sexta-feira), e permanecerá aberta ao público de amanhã, sábado, até o dia 22 de agosto. A visitação pode ser feita de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e os sábados, das 10h às 16h. A entrada é gratuita. O Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS) fica na Rua Regente Feijó, nº 859, Centro de Campinas. O telefone, para maiores informações, é o Telefone é o 3733-8800. Os interessados em saber mais detalhes sobre o acervo do CMU podem agendar uma visita ao centro, pelo 3521-5250.

O CMU EM NÚMEROS

150 conjuntos documentais

80 mil processos

3 mil livros manuscritos

80 mil fotografias

2 mil rolos de microfilmes

100 mil documentos avulsos de natureza variada

850 horas de áudio digitalizadas

Fonte: Universidade Estadual de Campinas

Escrito por:

Rogério Verzignasse