Publicado 15 de Julho de 2015 - 19h45

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Arquivo

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai seguir as novas recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e divulgará os salários dos servidores com o respectivo nome do funcionário, atendendo a Lei da Transparência. A previsão é que as informações sejam disponibilizadas na próxima folha de pagamento. A universidade divulgou na semana passada a lista com a remuneração dos funcionários, mas identificando o servidor apenas pelo número da matrícula. Segundo o reitor José Tadeu Jorge, o TCE determinou recentemente que a remuneração do servidor público seja divulgada com número da matrícula, nome, remuneração bruta, indenizações, redutores, descontos e vencimentos.

"Quando decidimos pela divulgação dos dados, divulgamos da mesma forma que o TCE fazia até dois meses atrás, com o número de matrícula. O TCE mudou e a partir deste mês passou a colocar nominal. O nosso balizamento é esse e no mês que vem já será divulgado desta maneira", explicou Tadeu Jorge.

Embora os nomes ainda não tenham sido divulgados, o reitor afirmou que alguns servidores já demonstraram descontentamento com a nova metodologia. "Algumas pessoas argumentaram que no entendimento delas a informação de salário é pessoal e confidencial. Foi o conceito que sempre predominou no País. Mas não chega a ser um número expressivo de pessoas", disse.

De acordo com a lista divulgada na semana passada, ao menos 800 servidores da Unicamp recebem salário bruto superior ao do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de R$ 21.631,05, que é o teto constitucional. Entre as funções com salário acima do teto estão o do reitor, procuradores, docentes e servidores-técnico administrativos.

Em junho, a remuneração bruta do reitor foi de R$ 49.994,80, dividido em duas matrículas (de reitor e docente), uma com salário bruto de R$ 14.938,99 e outra de R$ 35.055,81. Na mesma situação está o coordenador geral, Álvaro Crosta, que recebeu no mês passado R$ 43.573,79, dos quais R$ 28.634,80 em uma matrícula e R$ 14.938,99 em outra.

No ano passado, o TCE determinou que todos os salários acima do governador fossem congelados e a Unicamp seguiu a recomendação. No entanto, uma liminar obtida pela Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) no ano passado impediu a universidade de reduzir os salários para atingir o teto estipulado pela Constituição. Por isso, o reitor frisou que não pode adaptar os salários ao limite. "Não posso descumprir uma liminar do TJ, que ainda está valendo até o julgamento do mérito".

A Unicamp prevê déficit de R$ 82,8 milhões neste ano, valor 135,9% superior ao saldo negativo do ano passado, cujo déficit foi de R$ 35,1 milhões. O gasto com a folha de pagamento é de 92,9% do repasse, e o objetivo é chegar a 85% em dez anos. Para Tadeu Jorge, os servidores que recebem acima do teto não representam grandes prejuízos à universidade. "Certamente não compromete. Quase 93% dos salários da Unicamp estão abaixo do teto. Essa diferença não chega a comprometer o orçamento da universidade. A retração econômica impacta muito mais do que esses valores que passam do teto", comparou.

Os salários dos servidores da Unicamp podem ser conferidos no site www.dgrh.unicamp.br/remuneracao.pdf, ainda constando somente o número da matrícula.

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