Publicado 15 de Julho de 2015 - 16h16

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: Dominique

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Campinas vai tentar incluir Guarani e Ponte Preta como possíveis sedes de treinamento de delegações estrangeiras que virão disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em agosto de 2016. O objetivo é atrair atletas no período pré-jogos, onde serão feitas adaptações e treinamentos antes das competições. Em agosto, o secretário de Esportes, Dario Saadi, e a coordenadora de Turismo, Alexandra Caprioli, visitam o Rio para tentar incluir a cidade na lista de candidatas sugerida pelo Comitê Organizador de Jogos Rio 2016 para receber as delegações. Até hoje, nenhum país escolheu a cidade como sede para preparação. Uma equipe de marketing criada para tentar alavancar a candidatura de Campinas já tem presença confirmada em dois eventos marcados para agosto e setembro no Rio, chamado “Open Seminary”, quando fará prospecção com os representantes de outros países.

Até agora, representantes de cinco países já visitaram Campinas para conhecer a estrutura oferecida para os esportes: Canadá, Itália, Holanda, China e Bélgica. Nenhum país escolheu, no entanto, a cidade como sede preparatória para os jogos. Outros dois países fizeram contato por e-mail, África do Sul e Botswana, mas não agendaram visita. “Campinas não tem estrutura para todas as modalidades, mas temos até o ano que vem para agendar visitas e as delegações conhecerem nossos equipamentos”, disse a diretora de turismo da secretaria de Desenvolvimento Econômico Social e Turismo, Alexandra Capriolli. Segundo ela, os clubes que receberam delegações poderão cobrar contrapartida para manutenção e reformas. A entrada dos atletas na cidade também é esperada para movimentar a economia local, como ocorreu na Copa do Mundo, em 2014.

A proposta dos dois clubes é uma alternativa ao Centro Esportivo de Alto Rendimento (Cear), que tinha sido planejado como opção, mas está incompleto e sem condições de alojar e permitir treinamento de qualquer modalidade esportiva. O centro, que está há quatro anos com obras paradas, foi, projetado para ser uma vitrine de Campinas para o esporte. Fora o Cear, há outros três equipamentos menores que também poderiam receber os atletas: o Clube Campineiro de Regatas e Natação, o Clube Semanal de Cultura Artística e o Ginásio de Esportes do Taquaral. A Prefeitura busca ainda habilitar novas estruturas esportivas.

Segundo Saadi, a ideia é oferecer o mesmo pacote que foi disponibilizado para Portugal e a Nigéria durante a Copa do Mundo no ano passado. O time português treinou no Centro de Treinamento (CT) da Ponte Preta, que foi reformado para receber os jogadores. O CT do Guarani, que recebeu a Nigéria, também seria uma possibilidade.

A equipe de marketing da candidatura de Campinas já tem presença confirmada em dois eventos marcados para agosto e setembro no Rio de Janeiro. “Campinas não tem estrutura para todas as modalidades, mas temos até o ano que vem para agendar visitas e as delegações visitarem os equipamentos”, disse a diretora de esportes, Alexandra Capriolli. Fora o Cear, Campinas conta com o Clube Campineiro de Regatas e Natação, o Clube Semanal de Cultura Artística e o Ginásio de Esportes do Taquaral. A Prefeitura busca ainda habilitar novas estruturas esportivas.

Intertítulo - Descartado

O Centro Esportivo de Alto Rendimento (Cear) – que poderia ser utilizado por atletas no período de adaptação - foi descartado como local de alojamento de delegações e treinamento de alguns esportes devido ao estado de abandono e falta de uma série de equipamentos públicos, cuja verba já foi destinada pelo governo federal.

Próximo ao Swis Park, o Cear está há quatro anos está com as obras paradas. A atual gestão informou que as obras que faltam – são quatro itens – estão em fase final de projetos e devem ser licitadas até o final do ano. Com isso, é o centro esportivo não ficará totalmente pronto nos próximos doze meses, reta final para as Olimpíadas.

“É possível usar o Cear para treinamento de natação, atletismo, que temos os equipamentos prontos. Já alojamento, as pessoas não precisam ficar lá”, disse o secretário. Para finalizar o projeto completo do Cear, são pelo menos mais quatro grandes intervenções, incluindo a construção do Ginásio Poliesportivo, a mais cara do centro. Atualmente, o Cear possui três piscinas olímpicas, quadras de tênis e uma pista de atletismo.

Intertítulo - Abandono

A vila olímpica está abandonada. A maior parte das casas está com vidros, portas e janelas quebradas. O teto de algumas ruiu, e urubus passaram a habitar a casa. Atualmente, o local tem 120 casas – capacidade para 1,4 mil atletas-, mas a maioria foi destruída por ocupações irregulares nos últimos anos.

Ao menos cinco casas estão habitadas por atletas e um funcionário do centro esportivo, que cuida da manutenção do equipamento público. Ouvidos pelo Correio Popular, os atletas – que pediram para não serem identificados – disseram que reformaram as casas com dinheiro próprio, para que tivessem condições de moradia.

O conjunto é parte do projeto do Cear e deveria ter passado por reforma para servir de vila olímpica. Há verba federal — de R$ 6 milhões — para transformar o alojamento, refeitório e lavanderia em uma nova área. No valor, está inclusa a contrapartida municipal de R$ 1 milhão. A proposta é derrubar parte da vila e construir prédios residenciais.

Intertítulo – Obras

Faltam quatro itens importantes para o término do Cear. O primeiro é o Ginásio Poliesportivo, que chegou a ser licitado, mas enfrentou problemas com a construtura. A obra para o ginásio foi contratada em 2010 e foi inicialmente orçada em R$ 14 milhões, com prazo de conclusão em 18 meses. Quatro meses depois de iniciada, a construção foi embargada por problemas no projeto de fundação.

Em 2011, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) julgou irregulares a concorrência e a contratação da construtora pelo Município. Na ocasião, o contrato com a empresa J.Z. Engenharia e Comércio também foi rescindido. Para concluir a obra, a construtora queria aditamento em valor superior a 25% do valor da obra, o que é vetado por lei.

Há ainda mais três itens: o de R$ 1,2 milhão destinado à construção de edificação da academia e vestiários de tênis. Outro convênio, de R$ 3,2 milhões, prevê a construção do centro de treinamento de badminton, e o último de, R$ 2,3 milhões, a reforma e ampliação dos vestiários e instalações para o atletismo. Os valores foram destinados entre os anos de 2006 e 2008.

RETRANCA

Para receber os turistas e delegações, o Aeroporto Internacional de Viracopos se prepara com um plano de segurança, feito pelo comando do Exército. Depois da experiência na Copa do Mundo, no ano passado, e com as possibilidades de expansão da aviação civil a partir da compra da TAP pelo consórcio Gatway, do qual participa David Neeleman, dono da Azul, Campinas já iniciou os trabalhos visando organizar sua estrutura para atrair as delegações que participarão das Olimpíadas e dos Jogos Paralímpicos no segundo semestre de 2016.

Viracopos elabora um manual de planejamento para os eventos esportivos, a partir de um documento da Secretaria de Aviação Civil. Entre as categorias que serão abordadas e estruturadas posteriormente estão a capacidade aeroporturária. A ideia é utilizar uma manobra chamanda de adensamento, que amplia a capacidade de processamento de passageiros e aeronaves. Outro ponto, em fase inicial de tratativas, é a segurança e defesa. Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Força Aérea Brasileira deverão ser envolvidas no plano de segurança aeroviário para as Olimpíadas. Novas contratações de recursos humanos deverão ocorrer assim como treinamento especial para atender a comunidade paralímpica - atletas e passageiros. Além disso, a concessionária deverá investir em melhorias do nível de conforto.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto