Publicado 15 de Julho de 2015 - 14h59

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Foto: Divulgação

Uma ação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e o Batalhão de Ações Especiais (Baep), de Campinas, capturou e prendeu no final da tarde de anteontem, o negociante de carros Ivan Aparecido Martins, de 34 anos, apontado como o braço direito de um traficante que teria assumido uma das rotas do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, preso em 2007 na Grande São Paulo. Martins estava na companhia do sobrinho Luiz Carlos Tijolim, que foi preso em flagrante. Na abordagem Martins se apresentou com nome falso, mas acabou confessando seu nome verdadeiro. No apartamento dele, no bairro Mansões de Santo Antônio, a polícia localizou duas pistolas Glock 9mm, sendo que uma possui acessório para disparo de rajadas, com carregador para 100 munições, outros quatro carregadores, uma pistola 5.7, um revólver calibre .44, diversas munições, além de U$ 3,8 mil e R$ 864.470,00. Também foram apreendidos um Mercedes Benz e uma Fiat Strada.

Segundo o delegado da PF, Jessé Coelho de Almeida, Martins atuava no tráfico internacional de drogas, esquema este que trazia cocaína e maconha da Bolívia, via Mato Grosso do Sul, com destino ao Estado de São Paulo, de onde era distribuída para outros estados brasileiros. “Digamos que Campinas, por ser uma cidade interligada por grandes rodovias e centros de grande porte, seja para o lícito ou para o ilícito, seria um entreposto do tráfico de drogas para esses traficantes”, disse Almeida.

Na casa de Tijolim, no Parque dos Palmares, a polícia achou balaclavas, porta-carregadores de fuzil, celulares, tonéis utilizados para enterrar drogas, máquina para contar dinheiro além de outros utensílios usados na prática do tráfico. Ele não tinha passagem criminal. Segundo a polícia, o suspeito alegou que Martins pagava o aluguel do imóvel. Eles estavam na cidade havia quatro anos. Martins morava no apartamento com a namorada, uma adolescente de 16 anos, que foi recolhida e entregue ao Conselho Tutelar.

Segundo o delegado da PF, Martins estava foragido e era procurado pelas policias campineiras desde o ano passado depois que a PF mineira deflagrou, em junho, a operação Athos, que visava desmantelar um esquema milionário de tráfico de drogas e a Luís XVI, sobre corrupção que acabou com a prisão de um juiz da Vara de Execuções acusado de vender sentenças para beneficiar traficantes. O detido teria entregue R$ 500 mil para o magistrado.

Prisão

A prisão dos suspeitos foi feita pelo Baep depois que a PF passou informações de que Martins teria um Jetta preto. Os policiais faziam patrulhamento nas proximidades do Condomínio Alphaville quando avistaram o veículo em um posto de combustível. Quando os suspeitos avistaram a viatura empreenderam fuga. Foi necessário apoio do helicóptero Águia no acompanhamento. A dupla fugiu em alta velocidade pela Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), que liga Campinas a Mogi Mirim, depois pela Estrada de Carlos Gomes e foi detida após bater com o carro contra um barranco, nas proximidades da empresa Motorola, já em Jaguariúna. “A operação aérea durou 15 minutos. Eles tentaram fugir por uma mata, mas foram detidos”, contou o tenente-coronel Nelson Vicente Coelho.

No momento da abordagem, Martins dirigia o veículo e apresentou um documento falso. A operação contou com policias rodoviários e de Jaguariúna. Ao menos 20 policiais do Baep participaram do acompanhamento aos suspeitos.

Eles vão responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, posse de arma de uso restrito, uso de documento falso, formação de quadrilha e a corrupção. Devido ao armamento achado na casa dos suspeitos, a PF acredita que há indícios de que a dupla atuava ou se preparava para roubos de banco e de caixas eletrônicos. “Tudo está sendo investigado”, frisou Almeida.

Caso Abadia

Juan Carlos Abadia chegou a ser considerado pela Agência Antidrogas Norte Americana como um dos maiores traficantes do mundo. Ele foi preso no Brasil e cumpre pena nos Estados Unidos. O traficante ficou conhecido também pelas diversas plásticas que fez no rosto para não ser reconhecido. Devido as intervenções cirúrgicas, ele ficou com o rosto desfigurado.

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Alenita de Jesus