Publicado 14 de Julho de 2015 - 17h17

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Carlinhos

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Abrindo as comemorações do aniversário de Campinas, a Prefeitura e a empresa chinesa BYD apresentaram na manhã de ontem dois ônibus elétricos, que serão produzidos na fábrica da empresa na cidade a partir do mês que vem. Dez veículos do modelo K9 começarão a rodar em até 90 dias em duas linhas da região do Campo Grande, operadas pela Itajaí Transportes Coletivos. O período é necessário para adaptação das garagens ao sistema de recarga. Já o modelo K11, articulado, entrará em operação no início do ano que vem. Campinas será a primeira cidade do País a contar com ônibus elétricos carregados por bateria. Outras fabricantes locais, como a Eletra, já produzem ônibus movidos a eletricidade, mas eles são abastecidos por cabos elétricos por meio de duas alças conectadas à rede pública, os chamados trólebus. O investimento inicial da empresa chinesa para a abertura da fábrica na cidade é de R$ 250 milhões e serão gerados 450 empregos.

Não poluente e mais silencioso, o ônibus elétrico tem capacidade para 80 passageiros e a autonomia é de até 300 quilômetros. A recarga da bateria é realizada em quatro horas e será feito na própria garagem. Os veículos foram trazidos da China e estão sendo montados em garagens terceirizadas - estrutura veio pronta e a parte interna está sendo finalizada no Brasil.

“Só vínhamos rodando nas cidades mais ricas e desenvolvidas, como Los Angeles, Nova York e Londres. Agora, com o apoio da Prefeitura que permitiu instalar a empresa rapidamente, será a primeira frota de ônibus elétrico do Brasil. Campinas dá mais um passo e torna-se líder de sustentabilidade”, afirmou o diretor de Relações Institucionais da BYD, Adalberto Maluf. A previsão da BYD é produzir 500 ônibus nos primeiros 12 meses, e 1.000 unidades no segundo ano. Além da fabricação dos ônibus, o investimento da empresa chinesa em Campinas inclui uma unidade para produzir painéis solares fotovoltaicos.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) ressaltou a importância da vinda da empresa chinesa para Campinas, num momento de retração da economia e poucos investimentos externos no País. “Campinas há muito tempo vinha perdendo indústrias. Os ônibus serão fabricados em Campinas, mas não vão rodar somente aqui. A expectativa é que a empresa que escolheu Campinas possa crescer cada vez mais, gerando empregos nesse momento difícil que o País atravessa”, destacou Jonas. Para o peesebista, a frota elétrica trará mais conforto para o usuário e o motorista. “O ônibus elétrico não faz praticamente nenhum barulho e traz muito conforto para os passageiros, além de não ser poluente. Vamos colocar para rodar na região do Campo Grande, a mais populosa da cidade.

Nós estamos agregando valor ao transporte coletivo”, frisou o prefeito.

Segundo Carlos José Barreiro, presidente da Emdec e secretário de Transportes, o objetivo é expandir gradativamente a circulação dos ônibus elétricos para toda a frota. “É um projeto grandioso da nossa administração e queremos que seja estendido para toda a frota a médio e longo prazo”, disse.

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Embora esteja investindo na aquisição de ônibus elétricos e no Bus Rapid Transit (BRT - Ônibus de Trânsito Rápido, em Inglês), o prefeito Jonas Donizette (PSB) disse ontem que a meta da administração é a implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT) e um modal para ligar o Centro até o Aeroporto Internacional de Viracopos. O trem intercidades, ligando cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) até São Paulo também está na pauta.

“Os corredores de ônibus são importantes, mas o que vai dar novo patamar é o transporte sob trilhos. Vamos fazer estudo e buscar recursos nos governos estadual e União para poder fazer com que Campinas tenha o transporte sob trilhos em um futuro próximo, principalmente envolvendo Viracopos. Hoje, já tem 14 milhões de passageiros ao ano e até 2020 deve chegar a 20 milhões”, afirmou Jonas.

O prefeito também prometeu empenho para tirar do papel o trem intercidades. Em passagem por Campinas no início do mês, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) informou que o projeto está na dependência da liberação, pelo governo federal, das faixas de domínio da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). “O trem intercidades já está em estágio avançado e vamos um trabalho para que se concretize. Com isso podemos tirar muitos carros e ônibus em circulação na nossa cidade”, finalizou o peesebista.

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