Publicado 13 de Julho de 2015 - 18h31

Por Adagoberto F. Baptista

Eric Rocha

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Dez nascentes que ficam dentro da área urbana de Campinas ganharam placas de sinalização para orientar que a água que verte destes locais é imprópria para o consumo. A justificativa da Secretaria de Saúde é que essas minas dágua são confundidas com água mineral, mas não são potáveis, já que não atendem aos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Prefeitura, essas nascentes são de fácil acesso à população e vulneráveis às contaminações do solo, com risco químico e bacteriológico.

O Departamento de Vigilância em Saúde informou que o uso destas minas aumentou nos últimos meses por causa da crise hídrica. A praça Antônio Rodrigues dos Santos Júnior, na Vila Nogueira, é um dos locais que recebeu a sinalização na semana passada. O Correio esteve no local ontem à tarde e constatou que a placa de alerta havia sido retirada. Segundo moradores da região, algum vândalo teria arrancado a estrutura durante o final de semana. Apesar de ser considerada imprópria, muitos se arriscavam a beber a água que verte da nascente. “Tomo sempre que venho na praça, conheço muita gente que leva de galão”, disse o porteiro Ezequiel Bento, de 49 anos. O padeiro Valdinei Lima de Castro, de 35 anos, foi outro que se arriscou. “Pra mim nunca fez mal. Pego para levar para o meu pai que tem diabetes porque é muito boa. Tem gente até que vende”, contou. Os dois relataram que a população do bairro consome a água no local há pelo menos 20 anos.

Enquanto a reportagem esteve na praça, o movimento na mina era intenso, com até crianças usando o local. A maioria das pessoas, porém, preferia apenas armazenar a água em grandes recipientes. O polidor de carros Ricardo André, de 35 anos, por exemplo, encheu ao todo 16 galões. Ele confessou já ter tomado a água, mas disse que hoje prefere levá-la para usar na limpeza da casa e de seu veículo. “A água da rua está muito cara. Muita gente usa a mina para lavar os carros de final de semana”, afirmou. A Prefeitura informou que vai avaliar como colocará uma nova placa no local, por considerar que houve um crime contra o patrimônio público.

Segundo a coordenadora da Vigilância Ambiental de Campinas, Ivanilda Mendes, apesar de ser tradição em algumas localidades, a população jamais foi orientada a tomar as águas destes locais. “Ela não deve ser usada para o consumo humano porque não recebe nenhum tipo de tratamento ou controle. A ingestão para produção de alimentos e higiene pessoal deve ser feita com água potável, que é a do sistema público de abastecimento”, avaliou.

De acordo com a coordenadora, as nascentes não passaram por análise de qualidade individual por ser uma ação “inviável” e porque elas jamais passariam em todos os critérios e parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. “Não se analisa porque a água não é para recurso humano. É apenas um recurso natural”. Por não ter a qualidade conhecida, o seu consumo pode provocar diarreia ou outros problemas de saúde, dependendo das substâncias que apresentarem na composição.

Após a instalação das placas de alerta, o Departamento de Vigilância em Saúde promete continuar com o trabalho de conscientização. Haverá distribuição de panfletos informando sobre o fato dessas águas serem impróprias e ações integradas com os profissionais das unidades de saúde que ficam próximas às minas. “Para que as equipes fiquem atentas a qualquer situação na qual possam alertar a população sobre o consumo da água das nascentes. É uma ação mais cotidiana”, disse Ivanilda. Os técnicos também vão fazer, por exemplo, o monitoramento dos atendimentos por diarreia aguda ou qualquer outra situação que possa estar relacionada ao uso dessas águas não potáveis.

QUADRO – NASCENTES COM ÁGUAS IMPRÓPRIAS PARA O CONSUMO

1) Praça Antônio Rodrigues dos Santos Júnior, em frente ao número 127 - Vila Nogueira

2) Rua Manoel Pereira Barbosa, em frente ao número 196 - Taquaral.

3) Rua Hermantino Prado – Jardim Carlos Lourenço

4) Rua Maria da Gloria Vilela, 182 - São Bernardo

5) Rua Ferdinando Turquetti, ao lado da ponte sobre o córrego - Jd. São José

6) Rua Vitor Meireles, na travessa com o Rodoanel José Roberto Magalhães Teixeira - Jd. Esmeraldina

7) Rua Iberê Gomes Grosso - a mina fica dentro da praça, em um campo de futebol - Jd. Estoril

8) Esquina das Ruas Iguapé e Itatibaia - Colina das Nascentes

9) Cruzamento das Avenidas Transamazônica e Padre Manoel da Nóbrega, perto da Rua Borba Gato - Jardim Garcia

10) Avenida da Sanasa, antiga rua 1 - Nossa Senhora Aparecida.

SAIBA MAIS

A Prefeitura também promete instalar uma placa de alerta em uma mina que fica no final da Rua Antônio Carlos do Amaral, no Satélite Íris I. A sinalização ainda não foi feita porque a Vigilância Ambiental ainda está estudante alternativas para sinalizar o local, que tem um terreno muito arenoso.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista