Publicado 11 de Julho de 2015 - 13h41

Por Adagoberto F. Baptista

Mulheres fecham trecho contra proibição a visitas

Lauro Sampaio/AAN

Cerca de 100 pessoas, a maioria mulheres, protestaram na manhã de ontem, sábado, 11, em frente a entrada do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia. O motivo é que a direção da unidade proibiu as visitas para os presos do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Campinas (P-4). A medida, segundo nota oficial enviada pelo Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado, foi tomada por causa do atentado ocorrido na última quinta-feira ao agente penitenciário que trabalha no CDP. A reportagem tento ouvir a direção do Complexo, mas não houve resposta. (ver mais abaixo).

As manifestantes interditaram cerca de 250 metros da estrada velha Campinas-Monte Mor (KM 5) ao colocarem sacolas com comida e refrigerantes nos meio do trecho. Muitas delas sentaram no asfalto em grupo para impedir a passagem de veiculos e caminhões. Paa garantir a segurança das "visitas" , já que havia muitas crianças no local, e dos veículos que se aproximavam e eram obrigados a fazer um contorno, duas viaturas da Polícia Militar foram para a áreal Uma delas também interditou o tráfego,. Não houve incidentes.

Uma das mais revoltadas com a situação era a faxineira Vanessa Matioli, 33, que veio de Itapira até o Complexo para tentar visitar o marido preso. "A direção não teve nenhum respeito conosco e apenas colocou um cartaz na entrada dizendo que as visitas estavam suspensas. Por que não avisaram a gente com antecedência?", questionou ela. Ela disse para o Correio que gastou R$ 300,00 na viagem e para comprar os mantimentos. "Não existe nenhuma prova de que o agente foi baleado por causa dos presos do CDP. Isso é uma ditadura", protestou ela.

O comerciante Josias Pereira de Melo, 50, de Campinas, também ficou irritado com a situação e não pode ver o filho preso. "Se é para proibir as visitas, que se proibisse do complexo inteiro", reclamou.

Por volta das 11h, as mulheres suspenderam o protesto e ameaçaram se dirigir até a entrada do complexo para impedir a saída das viaturas, mas uma delas alertou que isso poderia piorar a situação. Elas também ficaram preocupadas com cartazes afixados nos postes do local que anunciavam uma greve dos agentes para o próximo dia 20. "Foi uma falta de respeito muito grande, mas é melhor a gente voltar para casa", disse a embaladora Jéssica Aline da Costa, de 23 anos.

Sindicato explica motivo da proibição

O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado, João Rinaldo Machado, afirmou que irá dialogar com o secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, para que ele interceda junto à Secretaria de Segurança Pública para que os responsáveis pela tentativa de homicídio contra um agente de escolta e vigilância penitenciária, de 48 anos, na última quinta-feira, no Jardim Adelaide, em Hortolândia, seja enquadrado como crime hediondo.

"Pelas circunstâncias do crime não foi uma tentativa de assalto. As características são de um atentado contra o agente penitenciário que trabalha no CDP de Campinas, que fica no Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia. Agora, a legislação prevê que os de crimes contra agentes de segurança pública sejam considerados hediondos", afirmou.

Ele disse que ainda não existe pistas dos autores, mas que espera que o mandante do crime também seja encontrado e preso. "No ano passado, 11 agentes penitenciários foram mortos no Estado de São Paulo. Na região de Campinas, foram dois crimes", comentou.

Machado explicou que é uma ação de praxe a suspensão das visitas de parentes na unidade prisional em que trabalha um agente que sofre um crime. "A medida foi estabelecida com a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) e é uma forma de protetos contra a falta de segurança e os perigos aos quais ficam expostos os agentes", ressaltou. Ele afirmou que 200 pessoas trabalham no CDP de Hortolândia.

Em nota, a SAP informou que "as visitas foram suspensas neste final de semana apenas no CDP de Campinas, por conta do AEVP (agente de escolta e vigilância penitenciária) da unidade que foi baleado".

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Adagoberto F. Baptista