Publicado 10 de Julho de 2015 - 17h04

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Arquivo

O setor têxtil manifestou interesse de aderir ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego), Medida Provisória publicada na última terça-feira pelo governo federal, com objetivo de evitar demissões de trabalhadores por empresas com dificuldades financeiras temporárias. O presidente do Sinditêxtil, Alfredo Bonduki, vê a alternativa como uma saída necessária para enfrentar o momento crítico pelo qual passa o setor e já pediu ao ministro do Trabalho, Manoel Dias a inclusão do segmento. Municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) como Americana, Santa Bárbara dOeste, Nova Odessa e Sumaré fazem parte de um dos principais polos têxteis do Brasil e sofrem com a falta de competitividade do setor, motivada pelos altos custos trabalhistas, juros elevados e dificuldade de concorrer com o produto chinês. Quinze setores que poderão aderir ao PPE ainda serão definidos pelo Comitê do Programa de Proteção ao Emprego, formado por representantes dos ministérios do Planejamento, da Fazenda, do Trabalho, do Desenvolvimento e da Secretaria-Geral da Presidência.

O PPE permitirá a redução da jornada de trabalho e do salário em até 30%, com uma complementação de 50% da perda salarial pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Com a redução da jornada, o trabalhador que recebe R$ 2.500 por mês passará a receber R$ 2.175, dos quais R$ 1.750 pagos pelo empregador e R$ 375 pelo FAT, evitando a perda do emprego. O período de validade para o uso do programa não poderá passar de um ano e para que a adesão ocorra é preciso que empresários e trabalhadores estejam de acordo.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Americana, Antonio Martins, acredita que a medida seria positiva para evitar mais demissões no setor têxtil do município e torce para que seja um dos 15 segmentos beneficiados pela MP. Segundo ele, Americana já teve mais de 20 mil pessoas trabalhando nas indústrias têxteis, e atualmente esse número não chega a cinco mil.

"Conversei com o Bonduki essa semana e ele me disse que já fez o pedido. Acho viável se tiver essa saída, mas pelo que vi da MP tem que fazer uma assembleia com os trabalhadores e precisa da aprovação deles. A gente entende que como positivo se for por um tempo curto e para manter o emprego do trabalhador", afirmou.

No entanto, Martins é cauteloso e teme que o setor têxtil fique de fora para que outros sejam beneficiados. Ele critica a falta de proteção do governo federal com os têxteis, principalmente por não conter a entrada de produtos chineses. "A situação está difícil já faz algum tempo e não temos cobertura do governo. Na minha opinião era preciso ter cuidado com a quantidade de produtos chineses que entram no Brasil. A situação deve melhorar um poucvo porque o dólar está subindo", acrescentou.

Crise

Balanço do Sinditêxtil divulgado na semana passada comprova a dificuldade do setor têxtil da região de Campinas. De janeiro a maio deste ano, as indústrias têxteis e de confecção de Americana, Campinas, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara dOeste e Sumaré fecharam 506 vagas de trabalho. As importações da região neste período diminuíram 45,2%, passando de US$ 26,17 milhões para US$ 14,29 milhões. Já as exportações caíram 68,7%, passando de US$ 7,06 milhões para US$ 2,20 milhões.

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