Publicado 10 de Julho de 2015 - 16h44

Por Bruno Bacchetti

Bruno bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: arquivo

Em meio a crise financeira agravada pela queda nos repasses do governo, a Unicamp tem entre seus funcionários 168 servidores com salário líquido superior ao do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cuja remuneração é de R$ 21.631,05. Entre os que recebem o "supersalário" está o reitor José Tadeu Jorge, além de procuradores, docentes e servidores técnico administrativos. Os salários dos servidores da universidade foi divulgado após a Ouvidoria-Geral do Estado de São Paulo encaminhar - no final do mês passado - recomendação para que a Unicamp torne público os salários dos servidores. A universidade perdeu ação na Justiça em que era solicitada a divulgação da remuneração dos funcionários, mas ainda não foi intimada e se adiantou à decisão.

A Unicamp tem ao todo 14.315 funcionários, entre ativos e inativos. Em junho, o reitor Tadeu Jorge recebeu dois salários (como professor e reitor): um de R$ 25.635,84 e outro de R$ 11.081,55, totalizando rendimento mensal de R$ 36.717,39. No ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) determinou que todos os salários acima do governador fossem congelados, e a Unicamp seguiu a recomendação. No entanto, uma liminar obtida pela Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) no ano passado impediu a universidade de reduzir os salários para atingir o teto estipulado pela Constituição.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o reitor José Tadeu Jorge disse que a universidade já considerava há algum tempo divulgar os salários dos servidores e afirmou que não pretende buscar na Justiça uma solução para adequar os vencimentos ao teto estadual.

Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Diego Machado de Assis avalia como positiva a divulgação dos salários dos funcionários da universidade, e diz os valores exorbitantes recebidos por alguns servidores não surpreendem. "A divulgação foi extremamente positiva, é preciso ter transparência nas contas do serviço público, principalmente nesse momento de contingenciamento. Desde 2006 o TCE já vinha falando que haviam salários acima do teto e de lá para cá alguns até subiram", afirmou. Para ele, a Unicamp deveria se adequar o mais breve possível ao limite salarial. "Ninguém tem que ganhar acima do teto e tem que ser cumprida a lei".

Repasse em baixa

Até este ano, a Unicamp recebia cota fixa de 9,57% da arrecadação paulista do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Porém, o repasse pode ser inferior a partida do ano que vem, por causa de um projeto do governador Geraldo Alckmin que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo a proposta, o índice será no máximo o mesmo. A Unicamp prevê déficit de R$ 82,8 milhões neste ano, valor 135,9% superior ao saldo negativo do ano passado, cujo déficit foi de R$ 35,1 milhões. O gasto com a folha de pagamento é de 92,9% do repasse, e o objetivo é chegar a 85% em dez anos.

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Bruno Bacchetti