Publicado 09 de Julho de 2015 - 10h29

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O presidente da Serviços Técnicos Gerais (Setec), autarquia que administra os cemitérios municipais, Sebastiãoo Sérgio Buani dos Santos, informou ontem que vai pedir autorização ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepacc) para instalar um gradil no entorno do monumento aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932, em frente ao Cemitério da Saudade. A medida, disse, visa impedir atos de vandalismos como os que ocorreram este ano, quando as fotografias em louça e as 16 placas de bronze que identificavam os campineiros que pegaram em armas para combater a ditadura de Getúlio Vargas, e que estão sepultados no local, desapareceram.

A instalação de gradil, no entanto, não deve ser autorizada. O presidente do Condepacc, Ney Carrasco, disse que o conselho é soberano para decidir, mas que ele fará tudo para que não seja autorizado. “Já temos grades demais na cidade”, afirmou, durante a solenidade de comemoração dos

83 anos da revolução, em que várias autoridades foram homenageadas.

Carrasco disse que as fotos e as placas começaram a ser repostas, mas não mais em bronze. A Prefeitura mandou confeccionar as placas em material que imita bronze, para tentar assim evitar que sejam novamente roubadas. “Esse tipo de material (acrílico) vem sendo usado no mundo todo para evitar vandalismos em monumentos”, afirmou.

Para o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Guilherme Campos Júnior, a instalação de gradil e a substituição das placas de bronze que foram roubadas por outras de acrílico mostra a incompetência do poder público em cuidar de um patrimônio que é público. Campos, quando deputado federal, apresentou emenda parlamentar ao orçamento federal quatro anos, que só foi liberada em 2013 pelo Ministério do Turismo, para o restauro do monumento.

De autoria de Marcelino Velez, o mausoléu foi inaugurado em 9 julho de 1934 e abriga os restos mortais de voluntários campineiros que morreram em decorrência do movimento constitucionalista de 1932. A construção foi financiada na época pela iniciativa privada. A inauguração contou com a presença do poeta da revolução, Guilherme de Almeida, que fez o discurso inaugural.

Entre os 830 paulistas mortos, 16 eram campineiros e estão homenageados no monumento. Foi necessário um grande esforço de guerra e, em Campinas, antigas fábricas passaram a ser depósito de balas, capacetes, granadas, enfim, materiais fundamentais em um combate.

A Casa de Saúde transformou-se em hospital de guerra e Campinas foi uma das primeiras cidades a ser bombardeada, levando à morte do menino Aldo Chioratto, escoteiro atingido por uma série de estilhaços. O último revolucionário de Campinas morreu no ano passado. A solenidade de ontem teve a presença de José dos Santos Marques, de 100 anos, que era escoteiro na época da revolução.

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