Publicado 08 de Julho de 2015 - 20h30

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Leandro Ferreira/AAN

Eric Rocha

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O Aeroporto Internacional de Viracopos recebeu ontem à noite uma “passageira” inusitada e inédita. Pela primeira vez, o terminal desembarcou uma onça-pintada de grande porte, com cerca de um ano e meio e 80 quilos. Uma operação especial precisou ser feita para o transporte do felino, que foi capturado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em uma área de garimpo, na zona rural de Novo Progresso, no Pará. O animal foi criado solto e junto das pessoas. No entanto, com o passar do tempo ele cresceu e passou a comer outros bichos na região, e por isso, ficou presa em um cativeiro ilegal. Denúncias e o monitoramento de redes sociais levaram os agentes do órgão federal ao seu encontro.

Começava ali a saga de Felipe - como é chamada a onça – e o seu transporte para Associação Mata Ciliar, entidade referência na recuperação de felinos e outros animais em Jundiaí. Primeiro, o bicho foi colocado em uma caixa de madeira especial e transferido por terra, em uma viagem de dez horas até Cuiabá, capital do Mato Grosso. Por volta das 11h30 de ontem, embarcou em um voo de passageiros até Brasília, onde fez uma conexão. O desembarque em Viracopos aconteceu às 18h35, também em um voo normal. A operação para retirada do compartimento durou cerca de 50 minutos e contou com a ajuda de quatro funcionários da TAM Cargo, responsável pelo transporte. “Tivemos que verificar toda a documentação e embalagem, além de seguir todos os padrões internacionais de segurança”, afirma o gerente de operações de carga da empresa, Edson de Oliveira.

Técnicos do Ibama também acompanharam todo o processo para garantir o bem-estar do animal, fortemente impactado pelo estresse do deslocamento. A onça, que ainda é considerada jovem, chegou a Campinas ainda sob efeito de tranquilizantes e dormindo. A médica veterinária e coordenadora de fauna da Mata Ciliar, Cristina Adania, contou que esta foi a primeira vez em 30 anos que viu um felino com este tamanho e domesticado fora de um cativeiro. Ainda não se sabe se ela poderá voltar à natureza. “Pode ser que exista essa chance, tudo depende do monitoramento. Temos um recinto bem grande que pode ajudá-la a se afastar do ser humano”, explicou.

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Adagoberto F. Baptista