Publicado 08 de Julho de 2015 - 14h38

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Foto: Álbum de família

“Preciso tirar a dúvida que paira na minha cabeça: minha filha se matou ou alguém a matou? Eu prefiro ouvir que alguém a matou do que ela tirou a sua própria vida”, desabafou a estudante de cinema Shirley Nogueira dos Santos, de 36 anos, mãe da adolescente Maria Aparecida dos Santos Mariano, de 13 anos, achada morta e atropelada por vários carros na Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas, no dia 17 do mês passado.

Shirley acredita que a Polícia Civil está demorando em investigar a morte da filha e com isso pode perder as imagens registradas pelo monitoramento dos comércios que ficam nas proximidades de onde a menina morava e também do local de onde ela supostamente se jogou. “Falei com alguns comerciantes e eles têm câmeras de segurança, mas disseram que as imagens ficam gravadas por certo período, inclusive, alguns deles já tiveram as imagens deletadas”, disse. “Se fosse a filha de um rico ou famoso já tinham descoberto o que tinha acontecido, mas é filha de uma pessoa pobre e com certeza vai cair no esquecimento”, frisou.

A localização do corpo da jovem foi registrada na 2ª Delegacia Seccional como morte suspeita e é investigada pelo 6º Distrito Policial (DP). Investigadores responsáveis pelo caso garantem que já iniciaram as apurações, mas admitiram que até então não tiveram acesso a imagens, pois não acharam estabelecimentos que tinham imagens. Segundo os policiais, as buscas foram feitas em comércios próximos ao Cemitério Parque das Flores, já que as informações que tinham eram de que o atropelamento teria ocorrido na passarela perto do km 93 600. “Estamos aguardando o laudo do IC (Instituto de Criminalístico) e do IML (Instituto Médico Legal) que vai confirmar se a menina foi arrastada pelos carros ou não. Demos prioridade no caso, mas os laudos não ficam prontos do dia para noite. Já estamos ouvindo pessoas próximos a menina e se for necessário vamos pedir ordem judicial para liberação de imagens da AutoBAn”, frisou o investigador que não quis ser identificado.

Maria Aparecida era estudante do nono ano e morava nos últimos seis meses com o padrasto, o professor de matemática Florêncio Luís Santos, de 54 anos, no Jardim Satélite Iris I. Shirley estava na cidade paranaense de Foz do Iguaçu. A garota foi vista pela última vez pelo padrasto às 23h30 da terça-feira dia 16, dormindo em seu quarto. A família só soube da morte da adolescente no final da tarde do dia 17 após os avós, que moram em Sumaré, serem procurados pela imprensa que queria saber como a garota foi aparecer morta na rodovia. “Ela sai cedo para a escola e quando saí para o trabalho, por volta das 8h, não desconfiei de nada”, disse Santos.

Dois dias antes da morte, a garota tinha conversado com a mãe pelo WhatsApp e dito que estava gripada. A mãe aconselhou tomar remédios e se repousar. Ela chegou a pedir para faltar na escola na terça-feira, véspera da morte. “Ela não foi a escola e a noite conversou com os amigos. A conversa era de despedida. Não consigo entender o que aconteceu. Minha filha era muito tranquila, quase não saia de casa, nunca saiu sozinha”, desabafou a estudante de cinema.

A polícia disse que o próximo passo é ouvir um colega que a menina conversou pela última vez no WhatsApp e com a coordenadora pedagógica da escola.

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Alenita de Jesus