Publicado 06 de Julho de 2015 - 15h48

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: Dominique

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Alunos e ex-alunos de diferentes turmas do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas conseguiram, por meio de financiamento coletivo na internet, R$ 45,7 mil para homenagear os professores demitidos no final de junho, após terem os nomes citados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Trotes, da Assembleia Legislativa, e serem desligados da Universidade. O dinheiro, segundo os alunos, é para financiar uma campanha publicitária, com outdoors na cidade, lembrando a importância dos professores na vida acadêmica e profissional. Dois dos três professores lecionavam no curso há mais de 30 anos, e eram queridos pelos estudantes.

São 11 turmas diferentes, que levantaram o dinheiro pelo site de financiamento coletivo Vakinha (www.vakinha.com.br). No total, 10 outdoors estão espalhados por Campinas. Um desses outdoors está na Avenida General Carneiro, na Vila Industrial. A maior campanha arrecadou quase R$ 19 mil – a meta era conseguir R$ 15 mil. Além dos anúncios, os alunos também abriram um abaixo assinado on-line, pedindo à PUC-Campinas que recontrate os professores demitidos. Até ontem, eram 636 assinaturas.

“Queremos homenagear e agradecer dois professores que contribuíram a vida inteira com o ensino médico e seus pacientes. A ideia é chamar a atenção da sociedade para a situação, pois o sentimento é de injustiça frente a essas demissões sem nenhuma explicação”, disse a aluna do 6º ano Beatriz Moraes. Ela criou uma das “vaquinhas”, e arrecadou o maior valor no site.

Segundo ela, os alunos estudam ainda o que fazer com o restante do dinheiro arrecado. Beatriz disse que as demissões proporcionaram perdas para a formação acadêmica e humanitária dos alunos, além dos pacientes, que perderam médicos dedicados.

A campanha foi a forma encontrada para continuar a pressionar a PUC-Campinas para a volta dos professores ao corpo docente. A PUC, no entanto, mantém a decisão da demissão, sem informar o motivo. Dos três professores, apenas uma foi demitida por justa causa. A medida provocou uma onda de protestos dos alunos da faculdade, principalmente dos que estão no 5º e 6º ano.

Eles alegam que os professores demitidos não têm relação com o trote e que as denúncias – de alunos do 1º e 2º ano – são infundadas. Os professores demitidos foram citados na CPI dos Trotes, que ouviu professores de Universidades de São Paulo após denúncias de abusos em trotes. À CPI, os professores disseram desconhecer as práticas do trote, como agressões, venda de kits e cobrança de dinheiro para ser usado para compra de bebida em festas. Essas denúncias foram negadas pelos professores.

Os estudantes buscam auxílio jurídico para acompanhar o caso. Na última semana, eles entraram de recesso. Um dos professores demitidos, o médico Carlos Osvaldo Teixeira, conhecido como Caiá, afirmou na última semana que a demissão foi sem justa causa e que ele foi absolvido da sindicância interna da Universidade.

Intertítulo – Solidariedade

Dois professores da PUC-Campinas pediram demissão após os colegas serem desligados na Universidade, em solidariedade ao caso. Um dos médicos que pediu demissão em solidariedade é o dermatologista Antônio Francisco Bastos Filho, que dava aulas na PUC-Campinas há um ano e meio. Ele disse que o pedido foi porque não considerou justa o que ocorreu com os colegas, e antigos professores.

Retranca – Processo

Os estudantes do curso de Medicina da PUC-Campinas pretendem entrar com pedido na Justiça para que o próximo semestre esteja com quadro completo de professores, após a instituição ter demitido três docentes e outros dois pedirem demissão em solidariedade a demissão. O caso ocorreu no final de junho, e os alunos voltam as aulas no dia 4 de agosto.

O presidente do Diretório Acadêmico, Guilherme Henrique Zanluchi, afirmou que os alunos estudam a medida judicial, caso os demitidos não sejam recontratados. "Infelizmente não podemos pedir a recontratação dos nossos professores [demitidos]. Mas é um direito nosso como consumidor", afirmou.

Segundo ele, os estudantes podem exigir que o quadro de professores esteja completo e com professores de gabarito igual. Zanluchi, no entanto, não soube informar ainda quais medidas judiciais podem ser usadas. A faculdade de medicina na PUC-Campinas é particular, e a mensalidade custa acima de R$ 5 mil.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, as Universidades poderão propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis. Dentro do quadro, é preciso que um terço do corpo docente, pelo menos, tenha título acadêmico de mestrado ou doutorado e um terço deve trabalhar em regime de tempo integral.

Em nota, a PUC-Campinas informou que “a Instituição assegura a todos o livre direito de petição, bem como, a regular interposição de recursos, e reforça que continuará primando pela qualidade de ensino”. A Reitoria informou ainda que “as decisões tomadas em relação ao desligamento de docentes obedeceram aos ritos regulares internos e normas trabalhistas cabíveis, sem prejuízo e com integral respeito à honra e à intimidade dos envolvidos”.

Quanto às sindicâncias, a Universidade informa que trata-se de assunto interno à Instituição, razão pela qual, em respeito a todos os envolvidos, não se pronunciará.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto