Publicado 06 de Julho de 2015 - 15h26

Por Sarah Brito Moretto

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O secretário de Saúde, Carmino de Souza, disse ontem que não tem como garantir que Campinas fique livre de uma epidemia de dengue no próximo ano, após surtos da doença em 2014 e 2015. Até dia 26 de junho, segundo último balanço divulgado pelo governo estadual, foram 51 mil casos de dengue confirmados. O número é maior que o total registrado em todo o ano passado, fazendo esta epidemia a pior da história da cidade. Souza reconheceu as medidas adotadas este ano como “insuficientes”, mas afirmou que não existe “milagre” sem o engajamento da população.

No próximo semestre, a Prefeitura planeja manter as ações realizadas nos últimos dois anos. “Na minha visão, fizemos tudo o que foi possível. Dizer que estamos contentes? Claro que não. Esse ano foi tão duro quanto ano passado, apesar de que estávamos mais preparados em 2015. Houve uma grande ação intersetorial [entre as secretarias]”, disse. A Secretaria considera fundamental que as pessoas mantenham suas casas e terrenos limpos, evitando criadouros do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

“Tem que ser o próprio morador [a cuidar do local]. Telamos mais de 20 mil caixas d’água, foram mais de 40 mil visitas a domicílio. E não foi suficiente. Não foi falta de empenho ou gente [no serviço público]” afirmou. A Prefeitura alega que as epidemias deste ano e de 2014 foram atípicas – por isso o número elevado de casos. Os fatores que influenciaram estão ligados ao clima e a crise hídrica.

O calor acelera o metabolismo do mosquito, e ele pica mais pessoas em menos tempo. 2014 foi o ano mais quente da história, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Já a crise hídrica teria feito as pessoas a guardarem água em casa, com medo da falta do recurso. Com isso, muitos recipientes e baldes foram usados, sem a devido proteção. O mosquito da dengue deposita os ovos em água parada.

Souza também disse que Campinas não foi a única afetada pela dengue, e que a situação está semelhante no Estado de São Paulo e, também, regionalmente. “É um cenário epidemiológico difícil. Campinas não é uma ilha. Foi uma avalanche que pegou todos os municípios”, afirmou.

Ele pontuou, no entanto, que o vírus da dengue manteve-se nas duas epidemias – o tipo 1 – e não foi confirmado a introdução de novos tipos, como o Zika vírus e a febre Chikungunya. Ambos têm sintomas parecidos com a dengue são transmitidos pelo mesmo mosquito. “A taxa de letalidade deste ano também foi baixíssimo, de 0,014% do total de infectados. A rede de saúde respondeu ao pedido da epidemia, apesar dos números [de casos] serem grandes e antecipados”, disse.

A secretaria acredita que o pico de transmissão foi em março, quando foram confirmados 18.944 casos da doença. A diminuição era esperada a partir de maio, quando o tempo fica mais frio e seco. Foram 1.422 ocorrências em janeiro, 6.056 em fevereiro, 18.944 em março e 3.902 em abril.O ritmo de contaminação diminui em junho em relação a maio: foram 718 casos confirmados até o dia 26, contra 4.188 no mês anterior.

Intertítulo - Números

No total, são 51.112 casos de dengue, de acordo com dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do dia 26 de junho, divulgados no domingo, 5. Os dados mostram que o município concentra 10.9% das confirmações do Estado em 2015, que somam 467.801. A quantidade de pessoas infectadas é 19,8% maior do que o total do ano passado, quando foram registrados 42.664 casos durante todo o ano. Nos primeiros seis meses de 2015, foram sete mortes confirmadas. Restam ainda sete óbitos em investigação.

Intertítulo – Ações

No restante do ano, serão mantidas as ações de combate a criadouros do mosquito transmissor da dengue. Entre elas, a telagem de caixas dágua, nebulização costal, vistorias de imóveis fechados ou abandonados e campanhas de conscientização da doença.

No segundo semestre, a cidade terá também 616 agentes comunitários de saúde a mais, para ajudar no combate à doença. A Câmara aprovou no mês passado a criação dos cargos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A legislação foi criada justamente para suprir o déficit da Secretaria de Saúde de pessoal para trabalhar no combate à epidemia.

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Sarah Brito Moretto