Publicado 05 de Julho de 2015 - 19h50

íúÍíCecília Polycarpo

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Campinas já registra 51.112 casos de dengue na pior epidemia da história da cidade. Dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do dia 26 de junho, divulgados ontem, mostram que o município concentra 10.9% das confirmações do Estado em 2015, que somam 467.801. A quantidade de pessoas infectadas é 19,8% maior do que o total do ano passado, quando foram registrados 42.664 casos. Do total de confirmações até o final de junho, 50.773 são autóctones (vírus contraído no município) e 339 casos importados, ou seja, quando o paciente é infectado em outra cidade.

Os pacientes estão contaminados com o vírus tipo 1 que circula desde 2014 em Campinas. Desde janeiro, sete moradores morreram por complicações provocadas pela doença. Setenta por cento das mortes foram de pacientes com mais de 70 anos. Ainda existem três óbitos sendo investigados.

O ritmo de contaminação diminui em junho em relação a maio: foram 718 casos confirmados até o dia 26, contra 4.188 no mês anterior. Comparado a abril, a diminuição é ainda mais drástica. O mês teve 14.020 confirmações. No último balanço do início de junho, no entanto, a cidade tinha 44.528. A diferença de mais de 6,5 mil casos ocorre porque a CVE espera resultados de meses anteriores para confirmar os números.

A diminuição era esperada a partir de maio, quando o tempo fica mais frio e seco, inibindo a reprodição do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Mesmo assim, a situação é considerada grave pelas autoridades em saúde.

Em janeiro desse ano o número de infectados pela dengue foi seis vezes maior do que no mesmo período do ano passado, e em fevereiro quatro vezes.

A Prefeitura foi procurada para comentar os novos números, mas informou que não iria se posicionar. Em junho, em entrevista ao Correio, o secretário de Saúde, Carmino Antonio de Souza, disse que seria publicado o novo Plano de Contingência Municipal para o Enfrentamento da Dengue e Chikungunya 2015-2016. Trata-se de um documento elaborado com o intuito de nortear a Administração na resposta às epidemias de dengue e chikungunya. O município já contava com um plano de contingência, no entanto, o material previa atribuições relativas somente à Secretaria de Saúde. Já o novo documento dará responsabilidades também para outras secretarias, departamentos e autarquias da Prefeitura que têm responsabilidades no controle e prevenção da doença e na organização necessária para atender a situações de processos epidêmicos.

O secretário havia informado ainda que manteria durante o restante do ano ações de combate a criadouros do mosquito transmissor da dengue. Entre elas, aumentaria o efetivo para telagem de caixas dágua e nebulização, continuaria com as vistorias de imóveis fechados ou abandonados e com campanhas de conscientização da doença.

No segundo semestre, a cidade terá também 616 agentes comunitários de saúde a mais, para ajudar no combate à doença. A Câmara aprovou no mês passado a criação dos cargos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A legislação foi criada justamente para suprir o déficit da Secretaria de Saúde de pessoal para trabalhar no combate à epidemia.