Publicado 05 de Julho de 2015 - 12h35

Treinamento de massagem cardíaca em massa no Ginásio do Taquaral

Com fotos do César Rodrigues

Érica Araium [email protected]

O Instituto Terzius promoveu ontem, no Ginásio do Taquaral, em Campinas, o 1º Treinamento em Massa de Massagem Cardíaca, com o intuito de preparar a população para atender pessoas em situação de emergência. Ao longo de todo o dia, de hora em hora, ao menos 33 pessoas foram capacitadas por profissionais da saúde a executar manobras cardíacas simples, que podem salvar vidas. E, também a se familiarizar com o desfribilador externo automático (D.E.A.), que deve etar disponível em locais com grande concentração de pessoas. Um desses equipamentos foi doado pelo instituto à Prefeitura de Campinas para ser empregado no ginásio e atender aos frequentadores da Lagoa do Taquaral.

“A ideia deste trabalho social gratuito era a de esclarecer a população sobre a importância da reanimação cardiopulmonar. Quando alguém sofre uma parada cardíaca, ninguém sabe o que fazer, perde-se tempo e vidas. E há possibilidade de o coração voltar a bater antes de o socorro de uma ambulância chegar, algo que, com sorte, leva cerca 10 minutos, tempo máximo que se tem para agir”, pondera o médico cardiologista e intensivista doutor Renato Terzi, presidente do instituto desde 1993 e docente da Universidade Estadual de Campinas. Ele explica que, a cada minuto seguinte ao ataque cardíaco, cai em 10% a possibilidade de recuperação do coração.

A professora Denise Rizzato soube da iniciativa por meio das mídias sociais e logo tratou de se inscrever. Antes de chegar ao Taquaral, aproveitou para caminhar, hábito que mantém cotidianamente. “Sei da responsabilidade que terei a partir deste treinamento, porque se houver uma situação de emergência, me sentirei impelida a agir. Ao longo de 27 anos, nunca passei por uma situação assim, mas agora sei que poderei ajudar”, situa ela, que assistiu ao treinamento no período da manhã.

Os inscritos puderam acompanhar vídeos educativos e executar, sob orientação dos profissionais, as manobras cardíacas em bonecos. Conclusa a atividade, que levava cerca de 40 minutos, um certificado era então entregue ao participante. Normalmente, o instituto, ligado ao CEUTI, ministra cursos a profissionais da área de saúde. A ação realizada ontem, inédita e voltada a leigos, deve ocorrer anualmente.

A expectativa de adesão, por parte dos organizadores, era grande: somente pelas mídias sociais, cerca de 150 pessoas haviam confirmado participação. As baixas temperaturas registradas ontem, porém, afastaram o público espontâneo – aquele que normalmente passaria pela Lagoa do Taquaral e, por curiosidade, se inscreveria no treinamento.

Coincidentemente, é nos dias mais frios que a incidência de paradas cardiorespiratórias costuma aumentar, principalmente em idosos. “Em função da temperatura baixa, já ocorre uma vasoconstrição maior, o que provoca uma diminuição da circulação sanguínea e do fluxo para os órgãos. Inclusive para o coração, que realiza mais trabalho. Com o esforço físico, um mal estar ou ataque cardíaco pode ocorrer, subitamente, principalmente se o indivíduo for sedentário”, explica o médico.

Dicas

Em caso de emergência, verifique se, nos locais que costuma frequentar, há um D.E.A disponível e pessoas treinadas para utilizá-lo, bem como aptas a realizar as massagens cardíacas. Dor no peito, falta de ar, dor ou desconforto (dormência) nos braços, esômago e costas, sudorese fria e visão turva são alguns dos sinais de infarto.

“Se se deparar com alguém caído ao chão e a pessoa não responder, não respirar e não abrir os olhos, mesmo quando estimulada, não há muito a fazer. Em cerca de 10 segundos, essa avaliação deve ser feita e a massagem cardíaca iniciada. Imediatamente, deve-se pedir socorro ao 192 (Samu), relatar a situação, o que foi feito e solicitar-se um D.E.A., caso não haja no local”, observa o cardiologista.

15 milhões

De pessoas morem por ano, no mundo, em decorrência de ataques cardíacos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Esse quadro pode ser revertido se pessoas comuns estiverem preparadas para o primeiro atendimento.