Publicado 04 de Julho de 2015 - 16h53

Com fotos do Élcio Alves e vídeo da Shana

Érica Araium [email protected]

Ao menos cincoenta pessoas, entre aeromodelistas brasileiros e entusiastas, estiveram reunidos na Associação de Sumareense de Aeromodelismo, no último sábado, para acompanhar as manobras precisas executadas pelos competidores da modalidade F3A, espécie de Fórmula 1 desse esporte. Ao longo de todo o dia, dez pilotos se revezaram na pista e disputaram o melhor lugar no pódio da primeira etapa do Campeonato Paulista de F3A. “Esta é uma prova disputada no mundo todo, desde a América Sul até a Europa, e que sediamos pela primeira vez em Sumaré. Os dez participantes precisam ser muito precisos e executar poucas correções para atingirem a perfeição em cada uma das quatro baterias de prova”, explicou o diretor do clube, Reginaldo Leite.

As regras da competição são regidas pela FAI (Federation Aeronautique Internationale), daí a prova haver atraído pilotos convidados, caso dos mineiros Marcos Malloy, primeiro colocado no ranking brasileiro, e Rodolfo Drumond. Ambos poderiam competir no mundial da categoria na Suíça, em agosto próximo, mas só Malloy representará o Brasil. Motivo? “Os modelos que usamos nestas provas são bastante sofisticados, então é uma paixão que envolve custos e a gente praticamente banca tudo do bolso. Viajei 700 km para estar aqui, por gostar realmente. Se houvesse patrocínio, claro, seria melhor para todos”, pondera Drumond.

Quanto menor o peso e melhor o shape do aeromodelo, melhor a performance do piloto, que ganha as instruções da prova de um caller (chamador). Um dos competidores explica à reportagem que o piloto precisa imaginar uma espécie de caixa por onde o aeromodelo deve passar, considerar a altura (300m) e a profundidade (150m) para a execução perfeita das manobras.

“Se a F3A perdura até hoje no Brasil, é muito pelo esforço do Malloy. Ele já participou, no mínimo, de uns dez mundiais”, entrega Drumond. “Pois esse mundial acontece a cada dois anos. Sempre estou representando o Brasil. Não somos profissionais. Enquanto aqui a gente luta aos finais de semana e sem patrocínio para estar nas provas, noutros países os competidores treinam de segunda a sexta-feira e patrocinados. Eu não desisto, muitos não desistem”, partilha. Se houvesse incentivo, certamente voaríamos mais longe.

No Brasil

O presidente da Confederação Brasileira de Aeromodelismo (Cobra), Rogério Lorizola, explica que esta é apenas uma das categorias do esporte, que têm se tornado mais acessível graças à redução dos custos das peças, motores e controles – quase tudo pode ser comprado via internet, pode-se montar um aeromodelo em casa. “Um simples F3A custa cerca de R$ 1.500,00, mas pode chegar a alguns milhares de reais. Se antes esses modelos eram montados com motor glow, que faz bastante barulho e é empregado noutras categorias, como 3D e IMAC, hoje, usa-se motores elétricos, super silenciosos, como manda o padrão da Europa”, detalha.

Aeromodelos das categorias 3D e IMAC (International Miniature Aerobatics Club) que citou, aliás, podem ser vistos em locais como a Pedreira do Garcia, em Campinas, aos finais de semana, onde uma leva de adeptos do aeromodelismo costuma treinar. “Há ainda muitas outras categorias, como a Pylon Racing (corrida de velocidade) e a VCC (voo circular controlado), que pode ser praticado em nessa pista do clube de Sumaré”, ilustra.

Lorizola comemora, ainda, o fato de haver, pelo menos, 25 pistas de aeromodelismo homologadas na região de Campinas e arredores. “Esses clubes têm seus instrutores, pistas que acatam aos padrões internacionais, regras de segurança etc. Qualquer interessado pode praticar o esporte. É claro, há que se cumprir um determinado de voos instruídos até que se consiga voar sozinho”, explica, traçando um paralelo com o que ocorre no universo dos paraquedistas.

Elemento – Saiba mais

A história do aeromodelismo remonta ao final dos anos 1800 e a França, quando Alphonse Penaud construiu o primeiro modelo, com cerca de 16 gramas, pronto para voar. No Brasil, a prática do esporte é bem mais recente – data dos anos 1930 a primeira referência à comercialização de acessórios para aeromodelos. Com o passar dos anos e, mais marcadamente, o advento da internet, comprar peças ou mesmo aeromodelos prontos, importados, tornou-se mais fácil. Saiba mais no site da Confederação Brasileira de Aeromodelismo: www.cobra.org.br