Publicado 03 de Julho de 2015 - 20h48

Por Adriana Leite e Silva

Fotos de comércio da Dominique feitas na sexta-feira

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Os juros aplicados nas operações de crédito em Campinas são os mais elevados dos últimos 15 anos. A alta constante da Selic – taxa básica da economia brasileira – desde o ano passado afeta diretamente o bolso do campineiro. Nas operações de Crédito Direto do Consumidor (CDC), as taxas médias chegaram a 115,32% ao ano. No cheque especial, atingiram 205,39% ao ano e no cartão de crédito bateram em 219,02% ao ano.

Os juros aplicados em todas as operações para pessoas físicas tiveram uma elevação muito forte em relação ao ano passado. O resultado é um aumento grande na hora que o consumidor escolhe comprar no crediário. Um estudo da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostra que a compra de um bem de R$ 1.500,00 terá prestações de R$ 185,85 se dividido em 12 vezes. O valor parece pouco, mas no final o custo do produto chega a R$ 2.218,17.

Em junho do ano passado, o CDC estava em 90,55% ao ano. A prestação de um produto com o mesmo preço sairia por R$ 174,00 por mês. O total seria de R$ 2.088,00. Na hora de comprar, muitos consumidores deixam de fazer a lição de casa e calcular cada centavo que irá pagar até quitar toda a dívida. O erro custa muito caro e pesa no bolso. Antes de fechar qualquer compra, os especialistas recomendam que os consumidores observem as letras pequenas nas ofertas e também o custo financeiro do crédito.

O coordenador do Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, afirma que os juros cobrados nas operações financeiras em Campinas e região são as mais elevadas dos últimos 15 anos. “A taxa média do Crédito Direto ao Consumidor está em 115,32% ao ano. A taxa chega a 6,60% por mês. O cheque especial chegou a 205,39% ao ano e tem um juro médio de 9,75% ao mês. O cartão de crédito atingiu 219,02% ao ano e 10,15% ao mês. O crédito está muito caro. Para conter a inflação, o governo aumentou a Selic, mas o efeito está sendo duro para as empresas e os trabalhadores”, comenta.

Ele diz que os juros para a pessoa jurídica também subiram, mas não foi na mesma proporção das taxas para o consumidor. “O desconto de duplicata, operação mais utilizada pelos empresários, tem uma taxa média de 46,44%. O juro é de 3,23% ao mês. Para uma empresa, é muito elevado. O crédito está caro e escasso. O empresário, assim como o consumidor, tem cada dia mais dificuldade para conseguir crédito nas instituições financeiras. As exigências são muitas”, pontua.

Ele compara a compra de um bem de R$ 1.500,00 no CDC hoje e há um ano atrás. “Atualmente, a prestação sairia por R$ 185,85. No final, o valor chegaria a R$ 2.218,17. O aumento em relação ao preço à vista é de 48%. No ano passado, a prestação sairia por R$ 174,00. O valor final era de R$ 2.088,00. A diferença era de 39,20%. Os números mostram que o crédito está caro em decorrência da política adotada pelo governo para conter a inflação”, ressalta.

Recomendação

O coordenador do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Campinas, Carlos Augusto Oliveira, afirma que o trabalhador sofre com as decisões tomadas pelo governo para reduzir a inflação. “O objetivo é frear a inflação, mas até agora os efeitos dessa política causaram mais danos para o trabalhador do que pararam a inflação. A verdade é que as medidas diminuíram a capacidade de compra do brasileiro e também inviabilizam o financiamento de investimentos produtivos”, analisa.

Ele comenta que a estratégia dos bancos, além de subirem os juros quando a Selic tem alta em decisão do Banco Central, é aumentar as exigências para fornecer crédito. O especialista lembra que os bancos querem trabalhar com o menor risco possível de inadimplência. “Na ponta, quem sofre a pressão em decorrência dos interesses de todos esses agentes econômicos e da política do governo é o consumidor”, observa.

Oliveira salienta que o consumidor deve manter o controle mensal do orçamento e buscar comprar sempre à vista. “Não dá para tomar crédito emprestado com taxa que passam dos 200% ao ano como no cheque especial e no cartão de crédito. O caminho é colocar gastos e receitas em uma planilha e equilibrar as contas. Manter uma poupança também é imprescindível”, aconselha.

Lição

A dona de casa, Maria de Fátima Silva, conta que a família tirou uma grande lição ao financiar um veículo. “Entramos em uma bola de neve porque o financiamento era muito caro. Quando a gente vai comprar pensa apenas no valor da prestação. No final, pagamos dois carros”, diz. Ela também afirma que “se livrou” do cartão de crédito. “Tinha cartão de loja e de crédito. Um dia fiquei devendo dois meses em um deles. Quando vi, a dívida era o dobro. Fiz um esforço e paguei. Mas nunca mais caio nessa armadilha”, comenta.

Saiba Mais

A taxa Selic era de 11% ao ano em junho de 2014. No mês passado, a taxa estava em 13,25% ao ano.

Quadro

Confira as taxas de juros em junho em Campinas e região:

Operação Maio 2015 Maio 2014

Desconto de duplicata 46,44% ao ano 42,41% ao ano

Crédito Pessoal – CDC 115,32% ao ano 90,55% ao ano

Cheque Especial 205,39% ao ano 154,35% ao ano

Cartão de Crédito 219,02% ao ano 155,20% ao ano

TJLP 6% ao ano 5% ao ano

Fonte: Acic

Escrito por:

Adriana Leite e Silva