Publicado 03 de Julho de 2015 - 18h05

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Jaqueline Harumi

Da Agência Anhanguera

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O Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campinas anunciou ontem que as próximas ações do Castramóvel, unidade móvel para castração e chipagem gratuita, contarão com uma equipe de emergência local em caso de complicações pós-cirúrgicas. O credenciamento de uma clínica da cidade não acarretaria custo aos cofres públicos, pois segundo a Administração Municipal o contrato assinado com a Clínica Veterinária Ricardo, contratada para a realização das cirurgias, prevê melhorias no serviço. Uma equipe da clínica credenciada deverá ficar de prontidão com ambulância para, se necessário, encaminhar à própria clínica, que ainda não foi definida.

O anúncio foi feito ontem após a publicação de reportagem do Correio, que mostrou a fragilidade do atendimento de emergência oferecido através do depoimento do corretor de imóveis Fernando Rodrigues de Matos, cuja cachorra sofreu hemorragia após castração no Jardim São José na quarta-feira. O animal recebeu injeções ainda no local onde o serviço itinerante foi instalado, mas teria que viajar a 107 km em uma van para ser internado na clínica contratada para realizar as cirurgias, que fica em Mairinque. Diante da situação de risco do animal, Matos optou por interná-la em uma clínica local.

A Administração Municipal afirmou ontem que teve acesso ao diagnóstico da cachorra e ela teve uma gastroenterite hemorrágica que não foi decorrente da castração, mas que mesmo assim os custos com a internação particular seriam arcados pela empresa responsável pelo Castramóvel, o que não seria responsabilidade da clínica contratada. No entanto, até o fechamento desta edição os custos que totalizavam R$ 850, fora os medicamentos, não foram pagos.

Procurado pela reportagem no início da noite, o proprietário da cachorra negou o diagnóstico informado pela Prefeitura. “O laudo que eu tenho até agora é que ela chegou com hemorragia muscular no abdome decorrente da castração. Foram feitos três exames de sangue e não foi detectado doença, nem do carrapato, que ele [veterinário do Castramóvel] cogitou. Ela foi avaliada pelo veterinário no dia da castração e disse que estava em plena condição de saúde”, relatou. Matos afirmou que o estado do animal é considerado gravíssimo. “Entrei com pedido de fiscalização no CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), em São Paulo, e espero que realmente a Prefeitura cumpra com o que está dizendo. Não pela minha cachorra, que está morrendo, mas pelos outros animais que podem passar por esse transtorno”.

Diante das contradições, o Correio procurou o diretor do Departamento, Paulo Anselmo Nunes Felippe. Ele ponderou que o hemograma é apenas um auxiliar para o diagnóstico de doenças, mas admitiu ser necessário melhorias no atendimento de emergência, o que foi providenciado. “Por ser trabalho itinerante, a triagem depende da avaliação clínica e de informações prestadas pelo proprietário e em muitos casos o cachorro não passa por cirurgia, mas muitas vezes o proprietário também não sabe de doenças preexistentes”, lembrou.

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