Publicado 03 de Julho de 2015 - 17h49

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Leandro Ferreira/AAN

Foto: Divulgação/DERSA

Eric Rocha

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A viagem do campineiro rumo ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, deve ficar ao menos 40 minutos mais rápida com a inauguração do Trecho Norte do Rodoanel. No entanto, para usar esse benefício ainda vai ser preciso esperar. O último trecho da obra a ser construído pelo governo do Estado só deve ficar pronto daqui a dois anos.

Os dados são da Desenvolvimento Rodoviário S/A (DERSA), empresa estadual responsável pela construção. As obras de extensão da rodovia começaram em março de 2013 e o empreendimento tem 42% das obras concluídas até agora. No último dia 26 de junho, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) entregou o último segmento do Trecho Leste, entre a rodovias Presidente Dutra e a Ayrton Senna.

O Trecho Norte deve facilitar a vida de quem hoje precisa entrar em São Paulo, enfrentar o trânsito pesado da capital paulista, para depois conseguir acessar o maior terminal aeroportuário do País. De acordo com a DERSA, hoje os usuários gastam em média 1 hora e 45 minutos para chegar ao aeroporto, a partir do quilômetro 88 da Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas. Com a entrega do novo trecho do Rodoanel, o tempo cairia para 1 hora e 5 minutos. A cálculo foi feito com base nas velocidades médias utilizadas nas rodovias Bandeirantes (100 km/h), Ayrton Senna e Hélio Smidt (80 km/h), Marginal Tietê (25 km/h) e Rodoanel Norte (90 km/h). O projeto do novo trecho prevê uma ligação direta de 3,6 km para Cumbica.

“A Marginal Tietê é uma via saturada. Em uma parcela significativa do dia, ela circula a uma velocidade média muito abaixo do permitido e isso também impacta na Rodovia dos Bandeirantes. Com o Rodoanel Norte, vamos poder evitar esses trechos”, explicou o diretor-presidente da DERSA, Laurence Casagrande Lourenço. O investimento total da obra é de R$ 6,85 bilhões, composto por um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por repasses do governo federal e receitas próprias de São Paulo.

Apesar do momento de ajuste econômico, Lourenço disse que o prazo de entrega está mantido e não há a previsão de dificuldades financeiras para terminar as intervenções. “O financiamento está garantido e até agora não houve atrasos de pagamento. Não temos previsão de passar por esse tipo de dificuldade.”

Quem faz viagem de Campinas para o aeroporto de ônibus gasta hoje de 1h30 a 2h para completar o trajeto, dependendo do horário e as condições do trânsito em São Paulo. A cada quatro dias, a comissária de bordo em voos internacionais Priscila Pereira precisa percorrer esse caminho. “Seria interessante se ele durasse menos tempo. Geralmente eu tenho que ir cinco horas antes da minha apresentação para poder contar com o trânsito e não chegar atrasada”, disse. O motorista Marco Antônio Araújo é um dos responsáveis pela condução dos passageiros de 13 viagens diárias para o terminal, oferecidas pela empresa para qual trabalha. Ele contou que o tempo de viagem começa aumentar durante a semana já a partir das 16h30. “Se formos orientados a fazer esse trajeto vai ser muito bom porque evita pegar o miolo de São Paulo que é complicado.” Abordada minutos antes de subir no coletivo que seguiria para Guarulhos, a bancária Osmarina Moraes afirmou preferir esperar as obras terminarem. Na cabeça, só a viagem para visitar a filha, que faz intercâmbio em Paris, na França. “Vai ficar muito melhor quando isso acontecer de verdade”, explicou.

SAIBA MAIS

Com a construção do Trecho Norte, a expectativa é que o tráfego, sobretudo de caminhões, seja melhor distribuído e melhore o trânsito nas marginais dentro de São Paulo. A DERSA estima, por exemplo, uma redução de 23% do volume diário médio de caminhões na marginal Tietê.

TEXTO MAPA:

Rodoanel – O Rodoanel Mario Covas (SP-21) foi idealizado para tentar desafogar o tráfego intenso da região metropolitana de São Paulo. É dividido em quatro trechos e interliga dez rodovias que chegam à capital: Fernão Dias, Dutra, Ayrton Senna, Anchieta, Imigrantes, Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera e Bandeirantes.

Trecho Oeste – Tem 23 quilômetros de extensão e liga as rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Bandeirantes e Anhanguera. Foi liberado para o tráfego em 2002 e passou a ser administrado pela concessionária CCR Rodoanel em 2008.

Trecho Sul – Maior trecho, é composto por 61,4 quilômetros de extensão, o traçado começa na Rodovia Régis Bittencourt (entroncamento com o Trecho Oeste) e interliga as rodovias Anchieta e Imigrantes. Termina no prolongamento da Avenida Papa João Paulo XXIII, em Mauá. A operação foi iniciada em março de 2010 e o trecho repassado à concessionária SPMar em 2011.

Trecho Leste – Com 43,5 quilômetros, segue do entroncamento com o Trecho Sul até as rodovias Ayrton Senna e Dutra. O primeiro segmento foi segmento entregue em julho do ano passado e o segundo no último dia 26 de julho. A concessão também é de responsabilidade da SPMar.

(Em obras) Trecho Norte – Terá 44 km de extensão e as pistas sairão do Trecho Oeste, passando pelo Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, rodovias Fernão Dias e Dutra, na interligação com o Trecho Leste.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista