Publicado 03 de Julho de 2015 - 16h11

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Com a conclusão da restauração da fachada da Catedral Metropolitana, a Arquidiocese de Campinas busca R$ 1 milhão para avançar em mais uma etapa da recuperação do maior patrimônio cultural de Campinas. A próxima etapa prevista é o restauro da cúpula da igreja, que foi colocada na edificação em 1923, e que sustenta a imagem de Nossa Senhora da Conceição. A expectativa do pároco da Catedral, Álvaro Ambiel, é que novos patrocínios possam surgir para que a segunda fase do restauro possa ser concluída – o templo precisa de R$ 4,3 milhões para terminar a recuperação das outras três fachadas, a cúpula e a substituição dos sistemas elétrico e hidráulico e de comunicação da Catedral.

A entrega da fachada frontal foi feita ontem em uma solenidade de prestação de contas aos patrocinadores que doaram recursos para a obra – bancos Itaú e Bradesco e as empresas de alimentação Ticket, Alelo, Sodexo e FMC. O evento ocorreu na Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). A presidente da entidade, Adriana Flosi, pediu nova ajuda aos patrocinadores e apelou para que mais entidades se engajem na tarefa de obter recursos para a conclusão do restauro. Os recursos que fomentaram a recuperação da edificação foram conseguidos pelo vice-presidente da Acic, Guilherme Campos, no período em que foi deputado federal.

A Arquidiocese conseguiu autorização do Ministério da Cultura, em 2012, para captar R$ 7,1 milhões para as obras, utilizando os benefícios da lei de incentivos fiscais (Lei Rouanet) e, desse total, obteve R$ 2,8 milhões, suficientes apenas para o restauro das fachadas. A fachada da frente do templo teve toda a argamassa trocada, os anjos foram restaurados e dois dos quatro evangelistas da fachada, recuperados.

Na primeira fase, com R$ 1,58 milhão captados pela Lei Rouanet, foram feitas a troca do telhado do templo para eliminar as infiltrações que, em dia de chuva, permitiam a entrada de água que acabavam danificando altares e chão do centenário templo. O telhado foi construído em três lances. Um, sobre a nave central, outro, do altar-mór e Capela do Santíssimo e outro que atravessa a igreja em frente ao altar-mór. Também foi feita a restauração do teto, com reformas na parte hidráulica e elétrica. Os três imensos lustres de cristais também passou por restauro.

Tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), a Catedral é uma referência histórica, pois sua monumentalidade e excelência arquitetônica, presentes na talha do Mestre Vitorino dos Anjos e na elaboração dos vitrais, simbolizam a fase de grande desenvolvimento urbano vivido pela cidade ao longo do século 19, graças à economia cafeeira.

Inaugurada em 1883, a Catedral passou por uma grande mudança em 1923, quando recebeu novas ornamentações na fachada, como os medalhões com as datas comemorativas da diocese, as guirlandas e as estátuas dos quatro evangelistas e dos quatro anjos do apocalipse), quando também as telhas coloniais foram trocadas por francesas e a abóbada sobre o altar-mor foi levantada alguns metros, ficando na mesma altura do restante da igreja. Foi também nesta época que o zimbório (pequena cúpula) de vidros coloridos foi trocado por uma cúpula em gomos, encimada pela imagem de Nossa Senhora.

RETRANCA

Apesar da entrega do restauro da fachada principal da Catedral, ontem, os andaimes ainda permanecerão recobrindo as paredes por pelo menos mais um mês, porque ainda são necessários pequenos retoques na pintura, que depois de 92 anos revestida de branco, voltou ao amarelo-ocre original. De acordo com o responsável pelo restauro, Ricardo Leite, o restauro está recuperando a edificação que surgiu em 1923, com a grande reforma.

Isso decorre, segundo ele, pela falta de documentos do prédio original, concluído em 1883. Mas a cor original foi possível obter a partir de um intenso trabalho de prospeção, uma vez que na reforma de 1923, toda a argamassa do templo foi substituído, mas mesmo assim foi possível encontrar resquícios da tinta que originariamente cobria o prédio.

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Maria Teresa Costa