Publicado 03 de Julho de 2015 - 14h03

Por Sarah Brito Moretto

Fotos: Dominique (personagem Marjorie)

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Todas as delegacias de Polícia Civil de Campinas estão obrigadas a registrar boletins de ocorrência em casos de maus tratos contra animais. A afirmação é do diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 1), Kleber Altale, e é uma resposta às queixas de que as ocorrências de maus tratos a animais não estavam sendo registradas em algumas unidades. “Não é a nossa prática, e os casos que ocorreram serão investigados e levados à Corregedoria”, disse ele.

Quem flagra animais sendo machucados deve procurar a Polícia Civil para fazer o boletim de ocorrência, em busca de que o agressor seja responsabilizado. No entanto, nos últimos meses, em muitos casos isso não foi possível. Alguns funcionários de DPs chegaram a orientar as pessoas a procurarem a delegacia de proteção animal, que não existe mais. Desde janeiro que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mantém fechado o primeiro departamento policial especializado criado no Estado. Não há previsão para que a unidade volte a atender. Na ocasião do fechamento, foi afixado no antigo prédio um comunicado, informou que os motivos do fechamento eram a falta de funcionários, correição no setor e necessidade de adequação administrativa. A unidade ficava no bairro Nova Campinas.

"Temos casos de funcionários da delegacia que dizem que existem boletins mais importantes para serem registrados. É um absurdo. E, geralmente, as pessoas não sabem que a delegacia de animais fechou, e caem nessa ‘pegadinha’", disse a protetora Marjorie Rodrigues, do grupo OperaCÃO Resgate.

Segundo ela, o 10º Distrito Policial (DP) e o 4º DP já negaram a ela o direito de fazer o boletim de ocorrências por maus tratos a animais. Marjorie conta que já fez denúncias a Corregedoria da Polícia Civil sobre a situação. "Já me passaram o endereço da antiga delegacia, para enganar. Já é tão difícil fazer a pessoa procurar a Polícia e aí temos esse atendimento", afirmou.

O caso mais recente ocorreu no dia 10 de junho, no bairro Vila Ipê. O boletim de ocorrência por ameaça foi registrado na quinta-feira, no 5º DP, mas o de maus tratos a animais, não. O caso foi uma briga de vizinhos por causa de dois cães. Um deles foi morto pelo vizinho no quintal. Um segundo animal também ficou ferido após ser espancado com uma enxada pelo agressor.

A vizinha, uma advogada, 29 anos, que pediu para não ser identificada, resgatou o cachorro sobrevivente, mas foi ameaçada de morte pelo vizinho. Com medo, procurou a Polícia Civil, mas não conseguiu registrar o caso como maus tratos contra animais.

A Polícia Civil também informou, por nota, que os fatos serão "objeto de apuração". Caso seja constatada falha dos servidores, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis. Os policiais civis, segundo o comando da Polícia, são orientados a atender as partes "com presteza e cortesia, fornecer as orientações cabíveis, bem como a registrar as ocorrências criminais que chegam ao conhecimento, dentre essas as que envolvem crimes contra animais".

Sobre a delegacia de proteção animal, a Polícia Civil disse que a unidade não está atuante desde 2014 "por razões administrativas, dentre essas o remanejamento dos recursos humanos para as delegacias de polícia, as quais estão aptas a registrar ocorrências envolvendo animais".

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Sarah Brito Moretto