Publicado 02 de Julho de 2015 - 21h02

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Jaqueline Harumi

Da Agência Anhanguera

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Uma hemorragia pós-castração em uma cachorra de sete meses na ação do Castramóvel no Jardim São José, em Campinas, que precisou ser internada pelo dono em uma clínica particular anteontem, expôs a fragilidade no atendimento emergencial previsto no mutirão de castração gratuito. Isso porque o contrato do serviço financiado pela Prefeitura prevê que as complicações após as cirurgias sejam atendidas na Clínica Veterinária Ricardo, empresa contratada que possui sede em Mairinque, a 107 km de distância. O transporte de ida e volta do animal que precisar do atendimento seria uma ambulância, mas o que foi oferecido é uma van, que também é usada para levar móveis e materiais usados nas cirurgias.

Com a situação de risco de sua cachorra Honda, o corretor de imóveis Fernando Rodrigues de Matos, 37 anos, preferiu pagar uma internação em clínica local, onde ela permanece internada. “Perdia muito sangue pela gengiva. Voltei para o local e uma van que carrega barraca ia levá-la à clínica. O motorista da ambulância deu quatro aplicações de injeção que dizia ser para dor com orientação do veterinário pelo rádio. Fui ver uma embalagem e vi que era anti-hemorrágico”, descreveu. Na mesma clínica em que Honda foi levada também foram atendidos outros dois animais que sofreram hemorragia após a castração do Castramóvel um mês antes, segundo Matos. “A cachorra ainda está com sequela”, lamenta.

Além da falta de especialista para o atendimento de emergência, de clínica próxima e transporte adequado, o corretor questiona o descarte dos resíduos das cirurgias durante atendimento itinerante. “Os úteros dos animais ficam em sacos plásticos atrás do ônibus, onde outros cães têm acesso e podem rasgá-los”.

A Administração Municipal afirmou por meio de assessoria de imprensa que Campinas não possui estrutura de internação necessária e que a distância não foi critério decisivo na contratação do serviço, mas a capacidade técnica e a disponibilidade de equipamentos necessários, inclusive um ônibus adaptado. A Prefeitura disse ainda que as condições de higiene e segurança são preservadas na van na hora de transportar o animal e ressaltou que além dos três casos mencionados não houve nenhuma complicação registrada dentre as 1181 castrações realizadas desde o início do Sistema de Microchipagem e Cadastramento Animal e do Programa de Castração de Animais Domésticos, em março.

Quanto à falta de profissional para o atendimento, o Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal desconhece a prática, porque todos são especializados. Em relação ao material orgânico recolhido, alegou que é colocado em sacos sanitários fechados, que só são mantidos no recinto enquanto o ônibus serve de unidade de castração e de forma vigiada. Esclareceu que este material é coletado pelo Departamento ao fim do dia e armazenado em local seguro para então ser destinado como lixo hospitalar.

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Jaqueline Harumi Ishikawa