Publicado 02 de Julho de 2015 - 16h26

Por Sarah Brito Moretto

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANAGUERA

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O policial federal que agrediu uma manifestante na Câmara de Campinas no dia 29, Cássio Guilherme Silveira, tem cinco dias para prestar esclarecimentos sobre o caso à Polícia Federal, que investiga a agressão. Segundo o órgão, caso seja comprovada alguma infração, a PF deliberará sobre a sindicância e o processo administrativo disciplinar – que pode levar a sanções e até a exoneração do servidor público. O processo de investigação dura 30 dias.

A agressão ocorreu no início da semana, durante sessão na Câmara de Campinas. Silveira agrediu uma manifestante e o momento ficou gravado em um vídeo, divulgado na internet. As imagens foram feitas pela TV Movimento. A professora, a favor da inclusão, é agredida por Silveira- que se posicionava contra - levando dois socos na cabeça. A sessão, que vetou a inclusão da discussão de gênero nas escolas, foi marcada pelo tumulto.

O responsável pela agressão, Silveira, segurava a bandeira do Movimento Integralista Linear Brasileiro quando entrou em conflito com a professora e socou a cabeça dela. Ele disse que os “tapas” foram em "legítima defesa" , porque a professora, havia agredido os integrantes do Integralismo antes e tentado rasgar a bandeira.

“A Polícia vai analisar se o agente quebrou determinação do código de conduta, específica dos policiais. Por enquanto, ainda é cedo para dizer como o processo andará”, disse a chefe de comunicação da Polícia Federal de São Paulo, Patrícia Zucca. A Polícia informou também que durante a agressão, o agente estava de folga. Atualmente, Silveira está lotado no plantão da Delegacia, mas já foi agente de campo.

A Câmara informou, em nota oficial, que "refuta veementemente qualquer tipo de violência cometida por quem quer que seja, sob quaisquer alegações" . A Câmara também refutou a acusação de que o Legislativo e seus integrantes foram coniventes em relação a este tipo de conduta.

A professora, Carolina Figueiredo, registrou boletim de ocorrência da agressão. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), da Polícia Civil de Campinas.

Intertítulo - Peculato

O policial federal Cássio Guilherme Silveira foi condenado em 2012 por peculato – crime de subtração ou desvio de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável por funcionário público. A decisão foi do Tribunal Regional Federal da 3ª região, vara Campinas, e condenou o agente por ele ter alterado a data de um protocolo de registro de arma de fogo no Sistema de Acompanhamento de Processos (Siapro) da Polícia Federal. O objetivo, segundo a ação, era permitir que o requerimento de um colega fosse reexaminado, e eventualmente, deferido.

O requerimento também foi, na ocasião, apresentado fora do prazo legal e Silveira suprimiu o extrato verdadeiro do outro agente. A denúncia do caso, feita pelo Ministério Público, ocorreu em setembro de 2005. Silveira foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto convertidos em multa de 10 salários mínimos e serviços comunitários. O policial federal recorreu ao processo e espera a decisão. Ele foi procurado ontem por telefone e e-mail, mas não retornou os pedidos da reportagem.

Intertítulo – Silveira

Em entrevista ao Correio Popular nesta semana, Silveira afirmou que o Movimento não tem interesse em entrar em confronto físico com membros de partidos políticos e que a agressão foi "legítima defesa", mas sem a intenção de machucar a manifestante. Ele também disse que concorda com o veto de incluir nas escolas o debate de identidade de gênero.

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Sarah Brito Moretto