Publicado 01 de Julho de 2015 - 19h40

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Dominique

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O Atlas de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Campinas, apresentado na tarde de ontem, na sede do Ciesp, evidenciou as desigualdades sociais e econômicas entre as regiões de Campinas. Baseado em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo dividiu a cidade em 187 áreas, chamadas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH). Regiões como Alphaville, Gramado e Barão do Café possuem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) equivalentes a países de primeiro mundo e superam inclusive o maior IDH Global, o da Noruega. Em contrapartida, outras áreas apresentam índices extremante baixos e semelhantes a localidades remotas, como Vietnã e Cabo Verde. Entre as UDHs de piores resultados estão Jardim Paulicéia, Residencial Chico Amaral e Oziel/Monte Cristo.

O levantamento foi realizado pelo Programa das Nações Unidas (PNUD) em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação José Pinheiro, com apoio da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

O IDHM é formado pela média geométrica de três outros índices: Renda, Educação e Longevidade, com pesos iguais, e vai de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, pior o desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, melhor.

Oito áreas têm o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Campinas (0,954), considerado “muito alto”: Alphaville, Gramado, Barão do Café, Condomínio Plaza Towers, Estância Paraíso, Parque Prado, Paineiras e Vila Verde. Embora a metodologia do IDH Global seja diferente, o índice dessas regiões supera países como Noruega (0,944), Suiça (0,933) e Austrália (0,917), os três maiores IDHs do mundo. Por outro lado, 12 áreas estão empatadas com os piores índices de Campinas (0,636), com IDHM comparável a países como Guiana, Vietnã, Cabo Verde e Micronésia. Entre essas regiões estão Oziel / Monte Cristo, Satélite Íris, Jardim Paulicéia e Jardim Sebastião.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas, Fernando Pupo Vaz, os dados dão um panorama completo das carências e necessidades de cada região, facilitando as estratégicas e políticas públicas. Ele confessa a necessidade de dar atenção maior às regiões de menor IDHM. “O Atlas nos permite ter conhecimento geral e específico, e na medida que tem esse conhecimento a administração já trabalha com isso. Temos que olhar para o conjunto do município, mas dar uma atenção maior para os piores IDHM", afirmou. "Mas é óbvio que não vamos deixar de lado o Alphaville, por exemplo, mas focar nas regiões mais vulneráveis”, frisou.

Renda, educação e pobreza

Além do IDHM, outros indicadores divulgados ontem mostram os dois mundos existentes dentro de Campinas. A renda per capita de regiões como Alphaville, Gramado e Barão do Café é de R$ 4.536,72, mais de 10 vezes superior à das regiões de menor IDHM, como Conjunto Habitacional Olímpia, Paulicéia e Residencial Chico Amaral, onde a renda per capita é de apenas R$ 422,38. As desigualdades refletem também na Educação. Mais de 70% dos moradores acima de 25 anos de Alphaville, Alto da Nova Campinas e Jardim Botânico têm curso superior, enquanto no Jardim Sapucaí, Residencial Gênesis e Vila Esperança, o índice de moradores que cursaram faculdade não chega a 0,74% do total de habitantes. Nesses locais, o percentual de pessoas consideradas pobres (renda domiciliar per capita igual ou abaixo de R$ 140 mensais) é de mais de 12% do total de moradores.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, ressaltou o elevado potencial econômico da cidade como um todo. Segundo ele, apesar de algumas regiões apresentarem indicadores de renda e pobreza ruins, a cidade de maneira geral se destaca no quesito renda e as preocupações maiores são em outros setores. "As pessoas aqui em Campinas tem renda, alguma renda ela elas obtém. Em Campinas o problema maior é de urbanização, algumas ocupações desordenadas, necessidade de saneamento, segurança e infraestrutura urbana, rua, iluminação e melhoria da qualidade da habitação".

15 maiores IDHMs de Campinas

Região IDHM

Alphaville 0,954

Gramado 0,954

Barão do Café 0,954

Condomínio Plaza Towers 0,954

Estância Paraíso 0,954

Parque Prado 0,954

Paineiras 0,954

Vila Verde 0,954

Barão Geraldo / Unicamp 0,941

Centro / Cambuí 0,941

Jardim Chapadão 0,941

Nova Campinas 0,941

Parque Itália 0,941

San Conrado 0,941

Bosque 0,912

15 Menores IDHMs de Campinas

Região IDHM

Satélite Íris 0,636

Conjunto Habitacional Olímpia 0,636

Jardim Paulicéia 0,636

Jardim São Sebastião 0,636

Residencial Chico Amaral 0,636

Cristo Redentor 0,636

Jardim Boa Esperança 0,636

Jardim Eulina 0,636

Jardim Maracanã 0,636

Jardim Santa Lúcia 0,636

Parque Campinas I 0,636

Oziel / Monte Cristo 0,636

Residencial São Luís 0,636

Residencial Gênesis 0,651

Jardim Ieda 0,651

Escrito por:

Bruno Bacchetti