Publicado 03 de Julho de 2015 - 21h38

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

A facilidade com que a Argentina eliminou o Paraguai na semifinal da Copa América mostra de forma clara como a Seleção Brasileira vive um momento ruim. Nem somando os gols marcados nas cobranças de pênalti, o time de Dunga conseguiu marcar seis vezes, como fizeram os argentinos.

Estar em um nível inferior ao da Argentina de Messi não é a questão. O rival tem uma geração fantástica de grandes atacantes (Tevez, mesmo em grande fase, ficou apenas no banco na semifinal) e chegou à decisão da Copa do Mundo de 2014.

Apesar de não conquistar nenhum título desde 1993 — jejum que pode acabar nesta tarde de sábado —, a Argentina é um dos gigantes do futebol mundial. Normal que esteja, em um momento ou outro, acima de adversários do mesmo porte.

O problema, enorme por sinal, é perder para a Colômbia, levar sufoco da Venezuela e ser eliminado pelo Paraguai, equipe que tem apresentado um futebol muito pobre nos últimos anos. O problema é constatar que, estivesse, neste sábado, o Brasil no lugar da Argentina, o favorito seria o Chile. Chile que tem uma geração de muita qualidade para os seus padrões. Mas é de se lamentar que os pentacampeões mundiais estejam em um nível inferior ao de um time que tem como destaques Vidal, Sanchez, Valdivia, Aránguiz e Bravo. São todos grandes jogadores, mas em outros tempos seriam apenas respeitados pela Seleção Brasileira. Hoje são admirados e temidos.

O ex-meia Djalminha falou sobre Seleção Brasileira no programa Corujão do Esporte. E foi muito feliz ao destacar que hoje um jogador precisa fazer pouco para chegar à Seleção Brasileira. Muito pouco, na minha opinião.

“Antes, você tinha que fazer uma temporada inteira bem para ter a primeira oportunidade na Seleção. Hoje em dia, de repente pela escassez de talento e de jogadores, o jogador faz três, quatro partidas boas e já estão todos reivindicando que ele seja convocado”, analisou o ex-meia do Guarani.

Esse é um — apenas um — dos problemas da Seleção Brasileira no momento. Antigamente, todas as convocações eram polêmicas porque vários jogadores de muita qualidade não eram chamados. Alguns por erro de avaliação do treinador, outros por absoluta falta de espaço e excesso de craques.

Hoje, as convocações são insossas. Não há discussão, não há contestação. E essa falta de talento abre espaço para que jogadores que mostraram muito pouco e que não jogam nos melhores times do País e da Europa vistam a camisa amarela. Sorte do Paraguai.

Escrito por:

Carlo Carcani