Publicado 12 de Julho de 2015 - 8h00

Por Thaís Jorge

aquecedores

Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

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Foto: Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

Aquecedor portátil movido a etanol: além de esquentar, proporciona um belo efeito visual

Aquecedor portátil movido a etanol: além de esquentar, proporciona um belo efeito visual

Com a chegada do frio, os cômodos mais quentinhos da casa passam a ser, também, os mais disputados. E, quanto mais gente debaixo dos cobertores ou em volta do fogão, melhor. O problema desse ritual é que não dá a menor vontade de sair do lugar, já que sempre tem aquele ventinho gelado que teima em entrar por janelas e vãos de portas. Para não ter de se preocupar com isso e ainda favorecer os momentos de convívio, muita gente aposta nos aquecedores, dos tradicionais a lenha aos portáteis, mais moderninhos. 

Ainda que o equipamento seja uma preferência para áreas internas, a arquiteta Bia Ferrari diz que a procura por soluções para o exterior é um desejo crescente; em alguns casos, um sonho de consumo. Na casa dela, aquecedores portáteis à base de etanol estão num cantinho do jardim onde a família se reúne – esses modelos são 4 indicados para quintais pequenos. “São da empresa Minha Casa de Madeira. Como têm um mecanismo de trilho para o álcool não evaporar, é possível fazer o aquecedor em diversas bases. É uma opção mais rústica, que me surpreendeu muito porque esquenta bastante mesmo. Para as áreas internas, os de aço inox ficam bem bonitos”, comenta.

Para a arquiteta, a praticidade e a versatilidade dos aquecedores portáteis são importantes diferenciais. Os aparelhos não são pesados nem fazem sujeira, têm funcionamento simples e podem ser carregados para onde o morador desejar. “Descobri essas opções porque sempre quis construir uma lareira externa, mas a lenha exige mais tempo e dedicação. O portátil foi uma solução incrível”, conta Bia.

Foto: Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

Bia Ferrari e a filha, Olívia: aquecedores fazem do jardim um espaço convidativo, mesmo quando a temperatura abaixa

Bia Ferrari e a filha, Olívia: aquecedores fazem do jardim um espaço convidativo, mesmo quando a temperatura abaixa

 

O calor da lenha, inconfundível, é um aliado e tanto nos dias de frio. Ou vai dizer que não é uma delícia puxar a cadeira mais para perto do fogão quando que a temperatura cai? Quem não dispõe de um desses em casa, no entanto, pode recorrer a outras soluções. Como os tachos de ferro, colocados no chão em amplas áreas externas. “Eu amo a lenha. Acho que é um ritual acolhedor, diferente. Dá mais trabalho, mas é gostoso e tem ótima durabilidade”, afirma a arquiteta Bia Ferrari.

O pensamento é compartilhado pelo casal Solange e Célio Targa, que apostou numa solução rústica e aconchegante tendo a lenha como protagonista. Uma cavidade circular no quintal, revestida de tijolo refratário, e um pouco de lenha é o que eles precisam para deixar o ambiente acolhedor e reunir mais gente para um bate-papo. “Nós gostamos de receber pessoas. Temos uma relação especial com nossa casa e aproveitamos cada canto, cada situação, para fortalecer a convivência com nossas filhas e nossos amigos”, diz Célio.

Foto: Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

Solange e Célio, com as filhas: cavidade revestida de tijolo refratário foi a solução encontrada para aquecer as noites

Solange e Célio, com as filhas: cavidade revestida de tijolo refratário foi a solução encontrada para aquecer as noites

Solange, a “dona” da ideia, conta que a família pesquisou referências em revistas e pediu opiniões a profissionais antes de a solução ser aprovada por todos. “Conseguimos explorar essa parte da casa que já gostávamos tanto. Como há uma mata nativa na frente e dentro temos bastante verde, fica bem friozinho conforme a noite vai chegando. Agora conseguimos curtir o espaço mesmo quando já está tarde, além de funcionar como atrativo e ser um motivo a mais para estarmos juntos”, comenta. Depois que a lenha queima, é só lavar a cavidade e pronto.

De acordo com Célio, as crianças adotaram o cantinho como um de seus preferidos. “Nossas filhas gostam bastante e os filhos de nossos amigos também. O fogo acaba virando um ritual para eles, que acampam aqui. Trazem comida, a gente fica contando história e é uma diversão para todo mundo”, completa. 

Tem que analisar

Antes de se decidir por esse ou aquele método de aquecimento externo, uma recomendação importante é prestar atenção no lugar em que o equipamento será colocado. “Se for um local com vento forte e sem proteção de muros ou varandas, o calor vai se dissipar muito rápido. Se você não tem uma proteção mínima, o calor vai ficar só próximo dela. As pessoas se esquecem disso às vezes”, informa o professor e diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Fábio Muzetti.

Muzetti diz que, nos terrenos menores, a lareira a gás tem atendido muito bem às necessidades dos moradores, mas lembra que também há boas opções movidas a álcool. Ele comenta que tachos de inox ou aço são alternativas interessantes, mas alerta que é necessário tomar cuidado porque eles produzem fumaça em excesso – esse problema pode ser atenuado apenas mudando o posicionamento do tacho.

O professor lembra da solução adotada na região Sul, onde há o costume do fogo de chão, que serve para assar carnes e aquecer. “É ainda mais gostoso porque une duas coisas numa só. Tem que fazer isso em um chão concretado e aqui talvez não compense, porque temos apenas dois meses de frio. Mas que fica gostoso, fica. Opções de aquecimento alternativo existem inúmeras. Basta escolher a que se encaixa melhor em cada lugar e de acordo com as propostas dos donos da casa”, orienta Muzetti. 

Cada casa, um caso

A opção por lareira externa deve levar em conta questões que vão além da vontade de amenizar o frio e reunir amigos para uma boa prosa. É preciso considerar o espaço disponível, a intenção da proposta e as reais implicações que cada possibilidade traz. Pedimos à arquiteta Bia Ferrari que fizesse um raio-x das opções mais comuns para áreas ao ar livre.

BIOLAREIRA A ETANOL

Como funciona

O líquido é colocado na câmara de combustão e a chama resulta da queima do álcool.

Vantagens

Não requer instalação prévia nem exaustão.

Funciona com álcool etanol e não provoca cheiro.

É portátil.

Desvantagens

É perigoso reabastecer a câmara com ela acesa.

Cada 1,5 litro de álcool dura aproximadamente duas horas e há necessidade de reabastecimento.

A sensação de calor limita-se à região próxima à lareira.

O combustível tem alto custo (R$ 35/5 litros).

LAREIRA, FOGÃO E TACHOS A LENHA

Como funciona

O aquecimento se dá por irradiação de calor, com a queima da madeira.

Vantagem

Por ser o sistema mais tradicional, a sensação de aconchego é maior.

Desvantagens

É poluente, faz fumaça e produz cheiro.

Necessita de reposição de lenha a cada duas ou três horas, dependendo do tamanho da peça.

LAREIRA A GÁS

Como funciona

O gás chega sob pressão por meio de uma rede de dutos que precisa ser instalada.

Vantagens

O aquecimento em pedra vulcânica se assemelha ao da lareira a lenha.

Como está ligada a uma rede de gás, não precisa ser reabastecida.

Desvantagens

É preciso construir um nicho para instalar o equipamento com ponto elétrico e de gás. Pode ser para uso externo, mas não é portátil.

Alto custo de instalação.

Há cheiro de gás no ambiente.

Escrito por:

Thaís Jorge