Publicado 05 de Julho de 2015 - 8h00

Por Vanessa Tanaka

"Como é reconhecida a necessidade de conservar a diversidade biológica existente, a política de uso de espécies vegetais que constam em listas vermelhas determina que, atrelado à utilização de uma espécie ameaçada de extinção, existirá um projeto de conservação"

Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

"Como é reconhecida a necessidade de conservar a diversidade biológica existente, a política de uso de espécies vegetais que constam em listas vermelhas determina que, atrelado à utilização de uma espécie ameaçada de extinção, existirá um projeto de conservação"

Foto: Adriano Rosa/Especial para a Metrópole

"Como é reconhecida a necessidade de conservar a diversidade biológica existente, a política de uso de espécies vegetais que constam em listas vermelhas determina que, atrelado à utilização de uma espécie ameaçada de extinção, existirá um projeto de conservação"

"Como é reconhecida a necessidade de conservar a diversidade biológica existente, a política de uso de espécies vegetais que constam em listas vermelhas determina que, atrelado à utilização de uma espécie ameaçada de extinção, existirá um projeto de conservação"

A parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e uma grande marca nacional de cosméticos resultou em uma ação que não só beneficia comunidades da Amazônia e do Pará que sobrevivem do extrativismo, como também ajuda a manter a floresta em pé. O trabalho, que contou com a participação da bióloga Carolina Domenico, de Campinas, ratificou as qualidades e os benefícios da ucuuba para uso estético. A pesquisa levou três anos para ser concluída.

Durante 30 anos, a árvore que oferece o fruto foi constantemente derrubada para a exploração da madeira por uma mesma comunidade, o que levou à sua inclusão na lista de espécies em extinção. A pesquisa, no entanto, fez surgir uma oportunidade para reverter esse ciclo predatório ao ressignificar o valor do ativo e seu lugar na cadeia produtiva. A iniciativa contemplou a realização de um trabalho junto aos extrativistas, a fim de mostrar que a renda obtida com a coleta do fruto seria três vezes maior do que a alcançada com a madeira. E para alertá-los de que, caso o desmatamento continuasse, a comunidade perderia tudo, inclusive a floresta onde vive.

Também foi montada uma cooperativa para os trabalhadores receberem instruções e treinamentos para a gestão sustentável da cadeia. A própria Carolina, que nos três anos de pesquisa visitou a Amazônia mensalmente, ensinou técnicas de manejo sustentável, da coleta à armazenagem, para melhor aproveitamento do recurso. A ucuuba é o fruto da ucuubeira, presente no Estado do Pará e em áreas alagadas da região amazônica. O nome vem do tupi e quer dizer árvore da manteiga, o que se justifica pelo fato de sua semente ser fonte de uma manteiga levíssima, com alto poder hidratante e reparador.

Sobre a pesquisa e a necessidade de, cada vez mais, se preservar a biodiversidade brasileira, conversamos com Carolina, que é mestre em agricultura tropical e subtropical pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e, desde 2010, pesquisadora da Diretoria de Pesquisa Avançada, com ênfase no Programa de Bioagricultura, da Natura.

Metrópole – Como a ucuuba foi descoberta? E em que momento percebeu-se que suas propriedades auxiliariam na adoção do manejo sustentável e no combate ao desmatamento?

Carolina Domenico – A Natura conheceu a ucuuba por meio de um projeto de pesquisa interna que tinha como objetivo prospectar plantas oleaginosas da biodiversidade amazônica. Durante o trabalho para o desenvolvimento do ingrediente, os pesquisadores avaliaram que a manteiga proveniente das sementes do fruto apresentava um sensorial diferenciado para aplicação cosmética. Essa característica foi confirmada nos testes de eficácia.

A exploração para utilização da ucuuba obedece ao ciclo natural da espécie. Como, então, atender aos interesses comerciais sem prejudicar a floresta?

Para o uso da ucuuba e de outras matérias-primas vegetais, é realizado um diagnóstico do potencial produtivo das áreas fornecedoras. A partir desse conhecimento, acordam-se com as cooperativas volumes de fornecimento que respeitem a capacidade de suporte do local. A empresa também constrói, junto aos agricultores, técnicas com boas práticas de manejo sustentável para a espécie, considerando determinada realidade. Além disso, propõe benefícios justos e equitativos e desempenha o papel de incentivadora de uma gestão sustentável da cadeia. Esse modelo demanda que as organizações envolvidas integrem aspectos sociais e ambientais em suas decisões e atitudes.

Além de contribuir à preservação de uma espécie ameaçada de extinção e estimular a geração de renda entre as comunidades locais, quais outros resultados positivos a pesquisa alcançou?

Ao fazer o uso da semente, que é um produto florestal não madeireiro, estimula-se a conservação da árvore em pé. A empresa também desenvolve junto à UFSCar e algumas comunidades fornecedoras um projeto de conservação on farm da espécie.

Falando em UFSCar, qual foi o papel da instituição?

A UFSCar é parceira no desenvolvimento do projeto de conservação. Como é reconhecida a necessidade de conservar a diversidade biológica existente, a política de uso de espécies vegetais que constam em listas vermelhas determina que, atrelado à utilização de uma espécie ameaçada de extinção, existirá um projeto de conservação. Com base nisso e como emprega a manteiga de ucuuba em alguns de seus produtos, a Natura tomou a iniciativa de estudar a preservação do recurso genético em seu meio natural. Os objetivos são garantir a sustentabilidade da cadeia de fornecimento de ucuuba, fortalecer o alinhamento com a Convenção da Diversidade Biológica e com a estratégia de negócios bem-sucedidos no longo prazo, e valorizar a prática de conservação on farm.

A senhora já fez parte de outras pesquisas que colaboraram com o meio ambiente?

Acredito que todos os projetos desenvolvidos no Programa de Bioagricultura da empresa colaboram com o meio ambiente, pois as metas são promover a botânica econômica brasileira, desenvolver tecnologias de produção e inovação nas cadeias produtivas com foco na agroecologia e no manejo florestal não madeireiro. Ucuuba é o primeiro projeto de que faço parte que foi lançado, mas outros muito interessantes estão por vir.

Como se sente em fazer parte de um trabalho que contribuiu para a valorização dos aspectos social e ambiental?

Me sinto realizada e muito orgulhosa. É um privilégio trabalhar em uma empresa que investe e acredita no tripé da sustentabilidade. 

Escrito por:

Vanessa Tanaka