Publicado 16 de Julho de 2015 - 5h31

A inflação que devora os salários dos trabalhadores pesa ainda mais quando o consumidor vai aos supermercados.

Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Procon, com base em dados coletados em São Paulo, mostra que o preço dos 31 itens que compõem a cesta básica subiu 9,63% nos últimos 12 meses. O valor médio passou de R$ 405,56 para R$ 444,62, maior valor desde o início do Plano Real.

A alta bateu a inflação oficial (o IPCA), que fechou o período em 8,89%. Especialistas afirmaram que o cenário em cidades do porte de Campinas repete o quadro apontado pelo Procon em São Paulo.

A pesquisa mostrou que no primeiro semestre deste ano o custo da cesta básica teve uma elevação de 5,15% em relação a igual período do ano passado. Os alimentos foram os grandes vilões - e não só por causa da falta de água: a variação cambial e a crise econômica também colaboraram.

O valor do conjunto de itens do grupo de alimentos passou de R$ 345,17 do final do ano passado para R$ 366,25 em junho deste ano, um avanço de 6,11%.

O grupo de materiais de limpeza ficou praticamente estável no período, com variação de 0,19%, saindo de R$ 41,48 para R$ 41,56. Os itens de higiene pessoal custavam R$ 36,19 e subiram para R$ 36,81- diferença de 1,71%.

Na avaliação dos especialistas da Fundação Procon e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a falta de chuvas, os preços no mercado internacional, a variação cambial e a conjuntura econômica influenciaram os custos.

O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, Cândido Ferreira Silva Filho, afirmou que a inflação medida pelo INPC (voltado a famílias com renda de até cinco salários mínimos) já apontava que os produtos básicos tiveram aumentos maiores do que os preços em geral.

“As famílias com renda mais baixa estão sendo as mais afetadas. Produtos como a carne bovina tendem a ter preços mais elevados agora em decorrência do período mais seco e da perspectiva de aumento das vendas para mercados internacionais”, observou.

Para ele, este ano não há mais perspectiva de controle da inflação. “O índice vai superar em muito o teto da meta, que é 6,5%”.

Conjuntura

Especialistas e varejistas afirmaram que os hortifrutigranjeiros têm variações de preços em virtude da demanda e da oferta. O coordenador do Mercado de Hortifrutigranjeiros da Ceasa Campinas, Márcio de Lima, afirmou que nos últimos 12 meses o conjunto de produtos comercializados no entreposto teve uma variação de 4% a 5%.

“Mas é preciso lembrar que, se há produtos com preços mais altos, há outros em queda. Tudo depende dos períodos de entressafra, das condições climáticas e da procura”, disse.

Casos como o da cebola e da batata são um exemplo: ambos tiveram forte alta, mas agora, segundo ele, a tendência é de baixa nos próximos 15 dias porque é a época da nova safra chegar ao mercado.

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