Publicado 15 de Julho de 2015 - 5h30

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) fechou 2014 com lucro de R$ 12,9 bilhões, resultado 40% maior do que o verificado no ano anterior (R$ 9,2 bilhões).O aumento é decorrente de uma reversão de provisão que impactou o balanço, aprovado ontem em reunião do conselho curador do FGTS, que reúne representantes dos sindicatos e de associações patronais e indicados do governo. Em 2012, o FGTS fechou no azul em R$ 14,3 bilhões. Segundo os números divulgados pelo Ministério do Trabalho, foram contratados R$ 56 bilhões do FGTS no ano passado. Do total, R$ 43,1 bilhões foram destinados à habitação, R$ 6,7 bilhões a projetos de saneamento e R$ 6,2 bilhões para obras de infraestrutura. Dentro do programa Minha Casa Minha Vida, os recursos do FGTS beneficiaram 480 mil famílias.Foram gerados ou mantidos 3,4 milhões de postos de trabalho. Os subsídios alcançaram quase 8 bilhões em 2014. O FGTS fechou o ano passado com R$ 77,5 bilhões em patrimônio líquido e R$ 410,4 bilhões em ativos. Para o ministro do Trabalho, Manoel Dias, que preside o conselho curador, o resultado foi “satisfatório”.FI-FGTS

O conselho curador do FGTS também aprovou as contas do fundo de investimento que usa parte dos recursos do Fundo. O aumento das provisões de risco dos investimentos feitos na Sete Brasil foi a principal razão para a redução da rentabilidade do FI-FGTS para 7,05% em 2014, ante o recorde de 8,22% verificado no ano anterior. O retorno financeiro do ano passado é o menor desde 2010, quando o fundo registrou rentabilidade de 5,51%.O FI-FGTS reservou R$ 374 milhões para cobrir eventuais perdas com a Sete Brasil, empresa responsável pela administração de sondas do pré-sal. O fundo, que usa parte do superávit financeiro do FGTS, é ao mesmo tempo sócio e credor da Sete. Criada em 2010 para construir 28 sondas que a Petrobras usaria para exploração de gás e óleo em águas ultraprofundas, a Sete enfrenta grave crise financeira.Pelas regras do FI-FGTS, a rentabilidade mínima a ser garantida nos projetos de investimentos em infraestrutura do fundo é de 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR). O rendimento do saldo do trabalhador nas contas vinculadas é de 3% ao ano mais TR. De acordo com os números do balanço, o FI-FGTS tem R$ 455 milhões no Fundo de Investimentos em Participações Sondas, que controla 95% da Sete Brasil, tendo como sócios Bradesco, BTG Pactual, Santander e os fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e da Caixa (Funcef). Os acionistas aportaram ao todo R$ 8,3 bilhões no projeto. Os outros 5% são da Petrobras. (Da Agência Estado)