Publicado 12 de Julho de 2015 - 5h30

Sem dinheiro no bolso, o consumidor está aprendendo aquela velha estratégia dos pais e dos avós de consertar tudo aquilo que ainda dá para ser usado. A lista de produtos que ganha uma “recauchutada” é longa: do lençol da cama do quarto até a luminária da sala. Antes de comprar um novo, muitos consumidores recorrem aos prestadores de serviços para consertar. O resultado é que a crise passa longe das portas de costureiras, sapateiros, assistências técnicas e oficinas mecânicas. Os pequenos empreendedores calculam que nos últimos dois meses a demanda dobrou.

Os consumidores dizem que, na maioria das vezes, sai muito mais barato consertar ou repaginar a peça do que comprar uma nova. O custo do serviço pode ser até dez vezes menor do que comprar um produto novinho em folha.

De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda do brasileiro teve uma queda 5% em maio deste ano em relação ao ano passado. O valor passou de R$ 2.229,28 para R$ 2.117,10. O desemprego também assusta e é melhor manter o dinheiro no bolso do que gastá-lo.

Optar por consertar também é um dos pilares do consumo consciente que vem se disseminando em outras partes do mundo como a Europa.

Os prestadores de serviços afirmam que os consumidores estão consertando tudo, mas os reparos são os mais simples. Quando a demanda é mais onerosa, o consumidor prefere adiar e esperar ter mais dinheiro no bolso. Na lista dos consertos mais procurados estão troca de peças de eletrodomésticos, revisões em carros, costura de barra em roupas e novos solados em sapatos. A tendência na área de vestuário e calçados é que os consumidores também comecem a apostar na repaginada de peças que estão boas, mas encostadas no guarda-roupa ou na sapateira.

A costureira, Maria das Dores de Melo, afirma que o movimento aumentou muito nos últimos dois meses. “Faço todo tipo de conserto em roupas e também faço peças sob medida. Houve um aumento do volume de pedidos nos últimos 60 dias. Mais do que dobrou a demanda. Os consumidores têm muitos pedidos de barra e ajuste nas roupas”, conta. Ela diz que gosta do que faz e a qualidade do serviço é fundamental para manter a freguesia.

A proprietária do Ateliê Agulha Mágica, Maria Dorli de Oliveira, diz que as pessoas buscam conserto para todo tipo de peça. “Aqui no ateliê nós já consertamos de tudo. Desde lingeries, lençóis até vestidos de festas. Com a crise, os consumidores buscam mais pelos consertos. Temos muitos pedidos de barras, troca de zíper, conserto de calças jeans e customização de peças”. Ela afirma que “as pessoas estão arrumando mais as peças antigas do que ajustando novas”, observa.

No mercado, as costureiras cobram em média de R$ 18,00 a R$ 20,00 para fazer a barra de calça. A troca de um zíper, dependendo da roupa, custa de R$ 15,00 a R$ 25,00. O ajuste da peça fica entre R$ 20,00 a R$ 30,00, conforme o serviço. A repaginada de um vestido de festa pode ficar em R$ 150,00. As profissionais afirmam que o valor depende do tecido e das mudanças que o consumidor pretende fazer na roupa.

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