Publicado 10 de Julho de 2015 - 5h30

A zona do euro recebeu ontem as propostas de reformas prometidas pela Grécia para poder obter um terceiro plano de ajuda e manter-se na moeda única, informou o porta-voz de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo. “As novas propostas gregas foram recebidas pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, é importante que as instituições (credoras) as considerem em sua avaliação”, afirmou o porta-voz, Michel Reijns, em sua conta no Twitter. Essas propostas tinham que ser apresentadas ontem antes da meia-noite (22h GMT) aos credores de Atenas (UE, BCE e FMI) que lhe haviam dado um ultimato.De acordo com uma fonte europeia, os credores estudarão imediatamente os documentos e amanhã eles serão apresentados aos ministros da Economia da zona do euro, antes da cúpula da UE, prevista para acontecer no domingo em Bruxelas. Com essas propostas sobre a mesa, os credores também podem avaliar o montante do programa de ajuda à Grécia, disse uma segunda fonte.Na última quarta-feira, a Grécia fez um novo pedido formal de ajuda sobre um período de três anos, a terceira desde 2010, em troca de um esforço orçamentário. Se um acordo não for fechado no domingo, a Grécia poderá deixar a zona do euro.  Essas propostas também serão submetidas ao Parlamento grego hoje, segundo a agência Ana. Se os dirigentes europeus aceitarem a proposta grega, eles poderão aprovar um novo resgate no domingo, durante uma cúpula com os 28 países da União Europeia. Caso contrário, a reunião de domingo pode se transformar em uma cúpula de crise para começar o processo da saída da Grécia da moeda única, o que os europeus querem evitar.Segundo o jornal grego Naftemboriki, o programa de reformas apontará uma redução do orçamento de 10 a 12 bilhões de euros, mais do que as propostas anteriores do governo grego.A Grécia pediu formalmente na quarta-feira à zona do euro um novo resgate de três anos, uma decisão considerada “positiva” por França e Espanha, dois países favoráveis a um acordo com a Grécia. Ontem o premiê Alexis Tspiras conversou por telefone com François Hollande. Tsipras, que chegou ao poder com seu partido de esquerda Syriza com a promessa de não impôr novas medidas de austeridade, disse que se reserva ao “direito de decidir” o modo “socialmente justo” de emendar as finanças do país.Ontem foi convocada uma manifestação em frente ao parlamento grego em Atenas para pedir que a Grécia não abandone o euro. Tsipras também pediu a seus sócios que reduzam a enorme dívida do país, que já representa cerca de 320 bilhões de euros, de 180% do PIB. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu que os credores façam propostas “realistas” sobre a questão da dívida. Na quarta-feira, a Grécia recebeu novamente o apoio do FMI em relação à dívida. Em outra demonstração de divergência entre os credores, o alemão Jens Weidmann, membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu BCE), pediu ontem que a instituição deixe de dar a ajuda de urgência à Grécia e que os governos assumam essa tarefa. (Da Agência France Press)