Publicado 09 de Julho de 2015 - 5h30

Apenas metade do ano se passou, mas o índice oficial de inflação já beira o limite de tolerância de 6,5% da meta perseguida pelo governo. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) contrariou a tendência histórica de desaceleração para o mês e ganhou força, subindo 0,79% - a maior desde 1996. Com isso, o IPCA subiu 6,17% no ano até junho - o maior resultado para o período desde 2003, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Nos últimos 12 meses, a inflação pesa ainda mais, com alta de 8,89% - na região metropolitana de Curitiba, já supera os dois dígitos. Em julho, a projeção é de que o IPCA geral ultrapasse os 9% - já estão no radar aumentos na energia elétrica em São Paulo e nas taxas de água e esgoto em sete regiões.Além disso, o índice de julho do ano passado foi atipicamente baixo (0,01%), o que torna a inflação em 12 meses sensível a qualquer movimento nos preços neste mês. “Sem sombra de dúvidas, a inflação vai superar 9% em julho”, afirmou o economista Étore Sanchez, da LCA Consultores.A notícia positiva é que o pior do reajuste dos administrados já passou, notou o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima. “O aumento dos administrados parece que já está mapeado. O que tem em aberto é o preço da gasolina. A maioria das projeções já trabalha com aumento de combustíveis”.O resultado de junho veio de uma combinação de reajustes nas loterias e em taxas de água e esgoto, além do aumento nas passagens aéreas. Sozinhos, esses itens representaram um terço da inflação do mês passado.A forte alta do IPCA de junho provavelmente sela o acordo para uma alta de 0,5 ponto percentual da Selic, segundo análise da maioria dos analistas de mercado. A inflação está agora no ritmo mais alto desde o fim de 2003 e é quase o dobro do centro de meta do Banco Central - o que aponta quase com certeza para mais uma alta na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim deste mês, avaliam.Energia

A energia, protagonista de meses anteriores, deu uma trégua em junho, mas continua alimentando a inflação em outros itens. “Várias empresas têm pedido reajustes extras para fazer frente ao custo da energia”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.Por tabela, os brasileiros também estão pagando muito mais caro pelo condomínio. Mas, além da água e da energia, outro fator está pesando para esse aumento do condomínio: a maior inadimplência dos moradores. Com os preços em alta, cada vez mais famílias enfrentam dificuldades para pagar todas as contas.Por outro lado, a restrição no orçamento dos consumidores tem limitado a alta de alguns preços, entre eles as carnes. Mesmo assim, os alimentos subiram 0,63% em junho. Só a cebola ficou 23,78% mais cara. Neste ano, o preço já avançou 148,13%. “Como estão dizendo por aí, o preço da cebola está de chorar”, brincou Eulina.Serviços

Com a alta de 29,19% nas passagens aéreas, o IPCA de serviços quadruplicou em junho, para avanço de 0,8%, segundo o IBGE. Porém, em 12 meses, o índice rompeu uma barreira histórica. Aos 7,9%, fechou pela primeira vez abaixo de 8% desde 2013. (Da Agência Estado)