Publicado 08 de Julho de 2015 - 5h30

O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,68% em junho, após subir 0,40% em maio, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-DI. O IPA-DI, que representa o atacado, subiu 0,43% no mês passado, após avançar 0,19% em maio; o IPC-DI, que apura a evolução de preços no varejo, cresceu 0,82% em junho, em comparação com alta de 0,72% no mês anterior; e o INCC-DI, que mensura o impacto de preços na construção, apresentou alta de 1,84%, contra avanço de 0,95% na mesma base de comparação.Com o resultado anunciado ontem, o IGP-DI acumula altas de 4,5% no ano e de 6,22% em 12 meses. O período de coleta de preços para o índice de junho foi do dia 1º ao dia 30 do mês passado. O IGP-M de junho, que havia captado preços do dia 21 de maio ao dia 20 do mês de referência, apresentou alta de 0,67%.Os preços dos produtos agropecuários no atacado subiram 0,15% em junho, após queda de 1,15% em maio, segundo a FGV. A instituição informou ainda que os preços dos produtos industriais no atacado registraram alta de 0,54%, ante avanço de 0,71% na mesma base de comparação.Os preços dos bens finais tiveram alta de 0,34% em junho, após aumento de 0,47% no mês anterior. Os preços dos bens intermediários subiram 0,15% no mês passado, em comparação a alta de 0,51% em maio. Já os preços das matérias-primas brutas registraram aumento de 0,92%, ante recuo de 0,58% na mesma base de comparação.Núcleo

O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI) de junho subiu 0,71%, taxa maior do que a registrada no núcleo anterior, de 0,69%, referente a maio.O núcleo é usado para mensurar tendências e é calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais expressivas altas de preços no varejo. Agropecuária

Os rumos dos Índices Gerais de Preços (IGPs) ao longo do mês de julho serão determinados pelas matérias-primas agropecuárias, cujos preços têm oscilado de acordo com notícias sobre safra e clima, sem uma tendência clara no curto prazo, afirmou o superintendente adjunto de Inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros.A depender da inflação do varejo e da construção, o índice geral perderá força neste mês.“O IPC deve ter certa desaceleração. Talvez não seja tão grande por conta do reajuste da Eletropaulo nas tarifas de energia elétrica na Capital. O INCC também virá menor. Já o IPA depende de até onde as correções de preço de soja e milho vão. Se for um movimento menor, o IPA se mantém, e haverá alívio no IGP”, explicou Quadros.Em junho, os preços da soja e do milho avançaram e contribuíram para que o IPA acelerasse.“Temos visto pequenos ciclos de alta e queda de soja e milho, que não necessariamente apontam tendência, são movimentos de curto prazo”, disse o superintendente. Neste mês, a soja ficou 0,89% mais cara, enquanto o milho recuou 2,55% - bem menos do que a queda em maio.O trigo, por sua vez, ficou 2,25% mais barato, mas seu peso é infinitamente menor dentro do atacado. “Mas o resultado deixa claro que não tem mais nenhum efeito do câmbio”, apontou Quadros Por isso, a incógnita fica mesmo com as matérias-primas agropecuárias.No varejo, a alta de 0,82% em junho foi a maior para o mês desde 1997 (1,30%). Segundo Quadros, o ciclo recente de aumentos em preços administrados e a pressão sobre os alimentos contribuíram para o rompimento da tendência histórica de uma inflação mais branda no meio do ano. No mês passado, notou, houve avanço de 4,12% nas taxas de água e esgoto, algo não muito comum para a época. “Por tudo isso, rompeu-se completamente com o padrão dos últimos anos”, afirmou. Para julho, contudo, boa parte desses impactos deve perder força. Além disso, os alimentos no domicílio tendem finalmente a dar uma trégua ao bolso do consumidor, depois de ganharem força e ficarem 1,05% mais caros em junho, puxados por frutas, laticínios e ovos.Na construção, o INCC também virá menor em julho, depois de realizada a maior parte do impacto dos reajustes salariais no Rio e em São Paulo. (Da Agência Estado)