Publicado 08 de Julho de 2015 - 5h30

Os funcionários do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social ) de Campinas entraram em greve ontem por tempo indeterminado.

Todas as agências da cidade ficaram fechadas. De acordo com o coordenador do SinsPrev (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo), Cristiano de Sousa Machado, a greve atende a uma convocação nacional do sindicato da categoria e cerca de 90% dos servidores de Campinas aderiram ao movimento.

Ele calcula que 300 segurados não foram atendidos durante o primeiro dia da paralisação. Na região metropolitana de Campinas, o sindicato relatou que apenas as cidades de Hortolândia, Americana e Nova Odessa não aderiram ao movimento.

Machado afirmou que os trabalhadores exigem, entre outras reivindicações, melhores condições de trabalho, reposição das perdas inflacionárias dos últimos cinco anos de 27,3% e abertura de um novo concurso público nacional.

“O governo vem relegando o INSS a um segundo plano e o ajuste fiscal piorou ainda mais a situação. Há atrasos nos salários de funcionários terceirizados como vigilantes e faxineiras, cortes nos repasses para administração das agências e dos cerca de 38 mil servidores 15 mil já estão em condições de se aposentar. Caso isso ocorra, o atendimento no INSS será paralisado”, comentou.

O líder sindical disse que a adesão dos funcionários das agências em Campinas surpreendeu. Segundo ele, na agência do Centro, apenas 3 dos 30 funcionários trabalharam ontem. Nem mesmo as perícias médicas foram realizadas nas agências da cidade.

Machado classificou a contraproposta apresentada pelo governo, de um reajuste escalonado de 21% em 4 anos, de “ridícula”. Assim como aconteceu ontem, hoje está previsto um ato público dos funcionários do INSS em frente a agência central, a partir das 6h30.

A paralisação pegou de surpresa quem procurou pelas agências do órgão ontem. Na unidade do centro, a auxiliar de serviços gerais Daniela Leme Gonçalves, 30, não pode retirar seu histórico de registros profissionais para ao novo emprego, já que ela perdeu a carteira de trabalho.

“Estou contente por ter arrumado um novo emprego, mas não vou poder levar a documentação que foi pedida. A opção agora é ir a uma agênia bancária e pagar pelo serviço”, reclamou.

Outra que se queixou da paralisação foi a esteticista Ivani Claret, de 56 anos, que foi até a mesma agência retirar documentos do PIS do marido recém falecido.

Remarcações

Em nota oficial, o INSS informou que os segurados que possuem agendamento para atendimento em uma agência da Previdência Social (APS) e que não forem atendidos por causa da greve terão a data remarcada.

De acordo com a nota, “o reagendamento será realizado pela própria agência e o segurado poderá confirmar a nova data ligando para a Central 135 no dia seguinte à data originalmente marcada para o atendimento”.

O órgão esclareceu ainda que considerará a data originalmente agendada como a data de entrada do requerimento, para evitar qualquer prejuízo financeiro nos benefícios dos segurados. A Central de Atendimento 135 está à disposição para prestar estas e outras informações e orientar os segurados.

Ainda de acordo com a nota, “o Ministério da Previdência Social e o INSS têm baseado sua relação com os servidores no respeito, no diálogo e na compreensão da importância do papel da categoria no reconhecimento dos direitos da clientela previdenciária e, por isso, mantém as portas abertas às suas entidades representativas para a construção de uma solução que contemple os interesses de todos”.