Publicado 07 de Julho de 2015 - 5h30

Sem dinheiro no bolso, o consumidor apostou mais em pagar as compras à vista no primeiro semestre deste ano. Balanço do acumulado de janeiro a junho deste ano realizado pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostra que as vendas à vista aumentaram 3,47% no varejo de Campinas.

A quantidade de operações pagas em sua totalidade no momento da aquisição dos produtos somou 837,4 mil operações. Entretanto, a tendência não foi suficiente para reduzir o calote nas compras a prazo que caíram 5,61% neste ano, passando de 1,15 milhão de consultas no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em 2014 para 1,09 milhão. No semestre, 116.190 carnês ficaram sem pagamento no comércio campineiro. Nos últimos 12 meses, o prejuízo já chega a R$ 211,4 milhões.

No primeiro semestre deste ano, o varejo de Campinas fechou com um faturamento de R$ 6,64 bilhões - o que significou uma retração de 0,46% em relação aos R$ 6,67 bilhões de janeiro a junho de 2014. No mês passado, as receitas do varejo campineiro atingiram R$ 1,22 bilhão. O valor é 1,20% menor que o R$ 1,24 bilhão de junho de 2014.

Nem mesmo o Dia dos Namorados salvou as vendas do mês. Os produtos mais comercializados no período foram joias e perfumes, vestuário e calçados, floricultura e restaurantes.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o faturamento acumulado neste ano atingiu R$ 15,85 bilhões. O volume é 0,16% menor do que os R$ 15,87 bilhões de janeiro a junho de 2014.

A inadimplência também está em alta na região. De acordo com os dados divulgados pela Acic, a inadimplência na RMC também não dá trégua. Nos últimos 12 meses, a quantidade de carnês em atraso chega a 902.045 débitos pendentes. O calote soma R$ 649,5 milhões.

Especialistas afirmaram que para sobreviver a crise os lojistas devem atuar em várias frentes que não se resumem apenas a conquistar os consumidores. O empresário deve cortar custos operacionais, negociar com fornecedores, tentar diminuir o valor do aluguel na renegociação do contrato, reduzir as retiradas dos sócios e cuidar de perto do caixa da empresa.

Aliado a essas estratégias, os comerciantes devem incentivar as equipes de vendas e manter um estoque equilibrado.

Recomendações

O professor do Institute of Business Education (IBE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Ferreira Barbosa, afirmou que os comerciantes precisam estabelecer táticas que permitam manter o negócio, mesmo com a queda no consumo.

“Os empresários devem fzer a lição de casa, que é reduzir custos. Medidas simples como apagar a luz faz diferença. Os comerciantes devem dedicar mais tempo a cuidar do negócio e observar bem os indicadores financeiros da empresa”, comentou.

Ele disse que práticas como motivar os funcionários, diminuir a retirada mensal dos sócios, negociar preços com os fornecedores e trabalhar com margens menores de lucro são necessárias para manter o negócio.

“A crise também traz oportunidades para as empresas se fortalecerem. O mais importante é o empresário buscar saídas para equilibrar as contas da loja e também ouvir os funcionários que podem dar boas ideias para o negócio”, afirmou.

Barbosa ressaltou que para atrair os consumidores os lojistas devem melhorar os descontos no pagamento à vista e também facilitar as compras no crediário.

“Os comerciantes devem reduzir as margens de lucro para manter o negócio equilibrado. O importante é sobreviver à crise e depois retomar o crescimento. Os lojistas devem negociar com as empresas de cartão de crédito e financeiras condições que permitam um crédito mais vantajoso para os consumidores. Se antes o parcelamento era em até três vezes, pode ser aumentado para quatro”, exemplifica.

Cenário

O proprietário do Campinas Shopping Imóveis, Jorge Nader, afirmou que a situação de instabilidade política contamina a economia e afeta todos os setores produtivos.

“Os empresários já sentem o impacto de uma pesada carga tributária e com a queda do movimento a situação está ainda pior. Há menos consumidores entrando nas lojas. O movimento caiu 20% neste ano”, disse.

O empresário comentou que no mês passado houve aumento do faturamento porque os consumidores que visitaram a loja foram para comprar. “Aumentou a quantidade de clientes que estão pagando à vista. Por outro lado, também subiu a inadimplência das compras parceladas com valor mais elevado. O fato mostra que o consumidor está sem dinheiro no bolso”, observou.