Publicado 03 de Julho de 2015 - 5h30

A produção industrial brasileira cresceu 0,6% em maio na comparação com abril, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe um período de queda de três meses consecutivos em relação os meses imediatamente anteriores, mas ficou 8,8% abaixo do registrado no ano passado.Segundo o IBGE, a produção industrial brasileira acumula queda de 6,9% em 2015 e de 5,3% quando analisado o período de doze meses encerrado em maio.A indústria de bens de consumo foi a que teve o melhor desempenho entre as categorias econômicas, com alta de 1,4% na comparação com abril, puxada pelo aumento de 1,2% nos bens semiduráveis e não duráveis. Os bens duráveis tiveram queda de 0,1%. Na comparação com o ano passado, no entanto, a produção de bens de consumo teve queda de 12% e acumula perdas de 9,6% em 2015.A indústria de bens de capital também teve variação positiva em relação a abril, com alta de 0,2%, mas apresentou queda de 26,3% na comparação com maio de 2014. Já os bens intermediários tiveram uma produção 0,5% menor que em abril e 4,9% menor que em maio do ano passado. De janeiro a maio, os bens de capital tiveram retração de produção de 20,6% e os intermediários, de 9,6%.Insuficiente

A alta de 0,6% na produção industrial sucede a uma queda acumulada de 3,2% no período de fevereiro a abril e, por isso, é insuficiente para reverter a trajetória de baixa da atividade, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo ele, os mesmos problemas conjunturais, como baixa confiança dos empresários e dos consumidores, seguem afetando o setor produtivo da economia. “Ter um resultado positivo é sempre melhor do que a manutenção de resultados negativos, mas esse resultado não elimina, não reverte a trajetória de queda da produção industrial”, disse Macedo. “Em outras comparações, os resultados são predominantemente negativos. Num primeiro momento, a alta na margem não modifica em nada a análise do setor, que continua marcado pelo menor ritmo de intensidade em sua produção”.Desde setembro do ano passado, a indústria acumulou uma perda de 5,7%. “Nos últimos nove meses do setor industrial, mesmo com esse avanço em maio, ainda tem um saldo negativo importante a ser eliminado”, frisou.Bens de consumo

As atividades ligadas à categoria de bens de consumo semi e não duráveis foram as que mostraram os principais avanços na produção em maio ante abril e contribuíram para a alta de 0,6% na atividade industrial em maio ante abril, afirmou Macedo. Mesmo assim, não significa que o consumo desses bens, tidos como mais essenciais às famílias, está normalizado. “O avanço se deu após uma redução de ritmo normal, em função de demanda menor. Pode ser que, no mês seguinte, retorne a um patamar negativo. O que se tem dentro do contexto atual do setor industrial é uma produção tentando se adequar à menor demanda doméstica neste momento”, disse Macedo. Segundo ele, além da tentativa de ajustar estoques, a própria base de comparação baixa contribuiu para que agora houvesse um resultado positivo.A alta de 1,2% na produção de bens de consumo semi e não duráveis em maio ante abril interrompeu uma sequência de sete quedas, período em que a categoria acumulou uma retração de 8,5% Nesse intervalo, a indústria mostrou o baque mais intenso da desaceleração na demanda das famílias brasileiras.Em maio, tiveram desempenho positivo os setores de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza, de bebidas, de vestuário e acessórios e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. “São produtos mais associados à evolução dos salários, bens mais essenciais”, destacou o gerente do IBGE. Porém, não significa que o consumo vá retornar a patamares de antes, acrescentou.“Há todas as restrições orçamentárias das famílias, em função das dívidas, do crédito menor, da incerteza em relação ao mercado de trabalho. Todos esses fatores explicam a maior cautela no consumo, e isso acaba de alguma forma explicando comportamento negativo que esse grupamento e a indústria como um todo vem mostrando nos últimos meses”, afirmou Macedo.Apesar do avanço na produção industrial em maio ante abril, a atividade opera 11,7% abaixo de seu pico histórico, observado em junho de 2013, segundo o IBGE. “É uma distância importante. Mais do que isso, o nível de produção agora é semelhante ao observado em julho de 2009”, acrescentou.Mesmo com a alta de 0,6% na produção em maio ante abril, não houve “nenhuma modificação nos fatores conjunturais”, segundo Macedo. “O nível de confiança, tanto do empresário quanto do consumidor, continua em níveis historicamente baixos. A demanda doméstica evolui de forma mais lenta, seja porque a taxa de desemprego está em níveis maiores, porque o nível de preços é mais elevado, ou porque a renda está diminuindo”, concluiu. (Da Agência Estado)