Publicado 02 de Julho de 2015 - 5h30

Os setores com mais peso na economia brasileira sentem o impacto do baixo crescimento do País. O comércio não é exceção, e sofre com a queda das vendas e o corte de postos de trabalho. Em Campinas, o setor fechou o acumulado do ano até maio com 1.310 demissões.

Mas uma pesquisa nacional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que nem todos os segmentos do varejo estão dispensando pessoal - e mais do que isso, converteram-se em “ilhas” de emprego e seguem oferecendo novas vagas.

É o caso das áreas de hipermercados, supermercados, farmácias, perfumarias e cosméticos, combustíveis e lubrificantes e artigos de uso pessoal e doméstico. Todas elas abriram oportunidades de emprego nos últimos 12 meses.

Em Campinas e região, esses segmentos apontados pelo estudo exibem o mesmo vigor que mostram no âmbito nacional em termos de abertura de postos de trabalho.

A inauguração de novas lojas e a reposição de trabalhadores em decorrência da rotatividade movimentam o mercado local.

Claro que as coisas já não são tão fáceis para o trabalhador - com diminuição do número de oportunidades, as exigências dos empregadores aumenta. Assim, qualificação e flexibilidade são as palavras-chave para quem quer conseguir um emprego na área.

Trabalhar no comércio tem alguns diferenciais - por exemplo, muitas lojas abrem durante feriados e aos finais de semana - e nem todo mundo se dispõe a enfrentar essa rotina.

A pesquisa da CNC mostrou que os vendedores e demonstradores são os profissionais mais procurados pelos segmentos do varejo campeões em vagas nos últimos 12 meses.

De acordo com o levantamento, na área de combustíveis e lubrificantes, as duas posições respondem por mais de dois quartos do quadro funcional das empresas. Outro funcionário muito procurado é o operador de caixa.

E quem tem alguma especialização tem também as melhores chances. Um bom exemplo são os padeiros e confeiteiros que trabalham nos supermercados e hipermercados e que tiveram um aumento do salário médio de 30,4% acima da inflação desde 2006.

Mas em termos de salário, a maior média entre os segmentos avaliados ficou com quem trabalha nas farmácias: R$ 2.889,80, uma alta de 15,1% acima da inflação desde 2006.

Oportunidades

Na cidade de Campinas e na região, a abertura de novos supermercados, farmácias, lojas de cosméticos, de utilidades domésticas e postos de combustíveis continuam gerando milhares de postos de trabalho.

Nesta semana, por exemplo, a Ikesaki, uma das maiores redes de cosméticos do País, inaugura uma unidade no Parque D. Pedro Shopping que gerou 202 empregos entre diretos e indiretos.

A unidade será a primeira da empresa fora da Grande São Paulo. A Sephora também chegou recentemente a Campinas no Shopping Center Iguatemi e contratou profissionais. Outra que irá aportar nesta semana em Campinas, também no Iguatemi, será a norte-americana Kiehl’s.

A expansão das redes de supermercados é mais um caminho para quem quer uma vaga no varejo. Mas é preciso lembrar que boa parte dos estabelecimentos abre as portas todos os dias - e continua aberta até a noite.

“Acabei de ser contratada por um supermercado que abriu perto da minha casa. Gosto de trabalhar com o público, mas ainda estou me acostumando com o ritmo de trabalho, inclusive aos domingos. Antes, eu trabalhava em uma indústria”, disse a estoquista Maria Aparecida Silva.

A coordenadora de Recursos Humanos da rede Pague Menos de Supermercados, Patricia de Carla Marcório Saroa, afirmou que o setor encontra dificuldades para preencher as vagas de pessoas com deficiência.

“Temos em aberto na rede 170 postos para pessoas com deficiência. Há cargos que necessitam de experiência, mas o complicado mesmo é encontrar trabalhadores que queiram atuar no horário oferecido pelo comércio”, disse. Ela comentou que o salário médio pago pela empresa é de R$ 1.100,00.