Publicado 12 de Julho de 2015 - 19h05

O “namoro” entre a Globo e Emílio Dantas é antigo. Mas, por conta do trabalho do ator como protagonista do musical Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz, só em Além do Tempo essa relação se concretiza. O carioca caiu nas graças do diretor Rogério Gomes — conhecido pelo apelido Papinha no meio artístico — e interpreta na nova novela das 18h da emissora o aprendiz de vilão Pedro, que fará de tudo para impedir que sua amada Lívia (Alinne Moraes) seja feliz ao lado do mocinho Felipe (Rafael Cardoso). “Não o encaro exatamente como um cara cem por cento do mal, mas seus princípios de ética são bem deturpados e isso fica evidente no comportamento dele”, adianta o ator.Na trama, Pedro e Lívia são amigos de infância e cresceram praticamente juntos, por conta da forte amizade que une suas mães, Gema (Louise Cardoso) e Emília (Ana Beatriz Nogueira), respectivamente. Ele sempre nutriu uma paixão pela jovem, mas ela só consegue enxergá-lo de maneira fraternal, mas sem rejeitá-lo. “Acho que esse é o maior problema da relação deles. Se a Lívia cortasse logo esse sentimento do Pedro, ele não cultivaria essa verdadeira obsessão por ela”, analisa Dantas. Para interpretar o personagem, Emílio passou duas semanas no Rio Grande do Sul. É lá que se passa a história, que será dividida em duas fases, de cerca de 70 capítulos cada. A primeira acontece no século 19 e a seguinte, 150 anos depois. Isso porque todo o elenco aparecerá nos dias atuais, interpretando as respectivas reencarnações de seus papéis por todo o período ou em participações especiais. Uma sinopse considerada ousada na teledramaturgia, mas que não assusta o ator.“Essa novidade foi o que mais chamou minha atenção. É claro que existe um risco, já que se trata praticamente de duas novelas em uma só. Mas todo mundo está engajado no projeto e acho muito difícil que isso comprometa a fidelização do público”, avalia. Emílio garante que pouco sabe da próxima fase. Existe uma expectativa de que, nesse segundo momento, Pedro seja o par romântico de Lívia, mas em um contexto completamente diferente e, mais uma vez, na posição de antagonista do casal principal. De qualquer forma, a julgar pelo que já sabe da trajetória de seu personagem no período de época de Além do Tempo, não esconde sua expectativa para as cenas contemporâneas.“Espero que o Pedro se ferre muito. Acredito que ele tenha de pagar por todo o mal que vai causar. Acredito em energia que gira no universo”, torce.No texto de Elizabeth Jhin, Pedro não chega a ser um vilão de ações. Suas maldades são mais bem calculadas e estratégicas. “Ele age na mente das pessoas. Não oferece um perigo imediato, mas mente e desenha situações que prejudicam seus inimigos e colaboram para sua escalada social junto à Condessa Vitória (Irene Ravache)”, antecipa o rapaz, referindo-se à grande vilã deste primeiro momento da trama.Em sua terceira novela, Emílio ainda não imagina como será sua vida depois que o público começar a reconhecê-lo nas ruas. O ator fez parte da Oficina de Atores da Record, liderada por Roberto Bomtempo, e chegou a ter papéis de destaque na minissérie Sansão e Dalila e nas novelas Máscaras e Dona Xepa, entre 2011 e 2013, período em que esteve contratado pela emissora. Mas assume que, como o alcance de audiência desses trabalhos era menor que o da faixa das 18h da Globo, dificilmente era abordado por telespectadores. “Só me param em blitz”, brinca.De qualquer forma, Emílio jura que se tornar famoso nunca foi seu principal objetivo. Recém-separado da atriz Giselle Itié, ele afirma que quer mesmo entregar um bom trabalho e poder ter prazer com isso. “O estúdio é o meu quintal, ali me realizo. Qualquer coisa que venha a partir da novela será consequência”, garante ele, que entrou na mira dos produtores de elenco e diretores da Globo depois de seu desempenho no musical sobre a vida de Cazuza. “A peça está parada, mas quero me desvincular dela com a televisão. Sou extremamente grato por tudo que conquistei e não foi só mérito meu. A história toda se contava pela própria obra do Cazuza”, enaltece. (Da Agência Estado)