Publicado 07 de Julho de 2015 - 19h05

As mais representativas produções cinematográficas argentinas, que retratam diversos momentos da história do país, além de sua realidade e algumas de suas facetas, são o foco da programação de cinema do Sesc-Campinas em julho. Serão exibidos nove filmes gratuitamente, às terças e quartas-feiras. A mostra tem curadoria do geógrafo e pesquisador de cinema latino-americano Vanderlei Mastropaulo, mestre em Comunicação e Cultura pelo Programa de Integração da América Latina (Prolam) da Universidade de São Paulo (USP).

O ciclo começa hoje com o filme Las Acacias, de Pablo Giorgelli, sobre um caminhoneiro que transporta madeira entre Paraguai e Argentina há anos, sempre sozinho. Até que aceita dar carona para Jacinta, que chega com um bebê no colo. Amanhã, a atração é o filme Filha Distante, de Carlos Sorín, sobre um ex-alcoólatra que viaja para a Patagônia para reestabelecer os laços com a filha que não vê há anos. A segunda semana apresenta O Médico Alemão, de Lucía Puenzo, sobre uma família argentina que conhece um médico durante uma viagem. Com a promessa de ajudar a menina Lilith, ele se torna hóspede no hotel da família. O que eles não sabem é que, na verdade, trata-se de um cientista nazista que realizou experimentos com humanos em Auschwitz. Em Elefante Branco, de Pablo Trapero, é protagonizado pelo ator Ricardo Darin, um dos nomes mais representativos do cinema argentino. O filme acompanha a trajetória do padre Julián, que dedica a vida a ajudar os necessitados que vivem na periferia de Buenos Aires. A violência e miséria do local levam o sacerdote a questionar sua fé.

O Crítico, de Hernán Guerschuny, mostra a rotina monótona de um crítico de cinema exigente que não vê muita graça na vida e rejeita qualquer filme que envolva romance. Na procura por um apartamento, devido a um recente divórcio, o amargo cineasta conhece uma bela jovem e vê sua vida ser transformada em um clichê. A mostra traz ainda a comédia dramática O Homem ao Lado, de Mariano Cohn e Gastón Duprat, que conta os transtornos vividos por um designer industrial — que mora na única casa feita na América do Sul pelo arquiteto Le Corbusier —, quando seu vizinho resolve fazer uma janela que dá para sua casa.

Na última semana da mostra serão mostrados os longas Iluminados pelo Fogo, de Tristán Bauer, e Infância Clandestina, de Benjamín Ávila. O primeiro narra as lembranças de Esteban, um homem de quarenta anos que na juventude foi levado como soldado para combater nas Ilhas Malvinas. A trama mergulha nas recordações da guerra, como o frio, fome, horrores e histórias de amizade. Os traumas se agravam quando ele fica sabendo que um velho amigo de combate tentou o suicídio. O segundo longa, que encerra a mostra, conta a história do garoto Juan, que vive na clandestinidade com sua família, que luta contra a ditadura militar. Conhecido fora de casa como Ernesto, ele vive uma série de regras para garantir a segurança familiar. Tudo vai bem até ele se apaixonar por Maria, uma colega de escola.

A programação inclui também o curso História do Cinema Argentino, com o curador Vanderlei Mastropaulo. O curso ocorre aos sábados, das 14h às 17h, e aborda os momentos históricos que influenciaram o cinema argentino. Com vagas limitadas, os interessados devem se inscrever na Central de Atendimento. Os preços do curso variam entre R$ 2,50 e R$ 5, com entrada franca para credencial plena.