Publicado 16 de Julho de 2015 - 5h31

Oito empresas paulistas foram selecionadas para desenvolver 13 projetos de pesquisa para o novo anel acelerador Sirius, em construção no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Entre as empresas selecionadas, duas são de Campinas. A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), responsáveis pela seleção pública, financiarão os trabalhos com recursos na ordem de R$ 40 milhões. O objetivo da chamada de propostas é qualificar e aumentar a capacidade tecnológica dessas empresas para que elas possam fornecer para o Sirius.

As oito empresas escolhidas para desenvolvimento e fornecimento dos equipamentos foram a FCA Brasil e a Luxtec Sistemas Opticos, ambas de Campinas; a Atmos Sistemas, de São Paulo; a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos; a Omnisys Engenharia, de São Bernardo do Campo; a Engecer e a Opto Eletrônica, ambas de São Carlos; e a Macnica DHW, em sua unidade da capital paulista.

Antonio José Roque da Silva, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, esclarece que por enquanto os recursos ainda não são para fornecimento. “Com objetivo de ampliar a parceria com empresas nacionais foi feito um programa estruturado de busca por empresas junto com a Fapesp e com a Finep. Então nós mapeamos alguns desafios (que são sistemas e processos para o Sirius ficar ponto) e foi feita chamada pública para que empresas submetessem projetos para o desenvolvimento desses produtos, processos e serviços inovadores. O financiamento não é para o fornecimento ainda. São projetos para elas próprias se capacitarem para produzir. É quase como se fosse uma encomenda estruturada”, explicou.

O valor total solicitado para cada proposta poderá ser de até R$ 1,5 milhão. “Essas empresas agora vão receber esses recursos e vão trabalhar junto com o LNLS para o desenvolvimento dos produtos e processos para que elas possam fornecer para o Sirius depois. É o apoio às pequenas e médias empresas para poderem atingir a excelência técnica exigida para o projeto Sirius. Ou seja, vai permitir que elas atinjam a qualidade necessária para a gente comprar delas”, acrescentou.

Fernando José Arroyo, fundador da FCA Brasil, instalada em Campinas, disse que a seleção significa aprendizagem, geração de conhecimento e possibilidade de criar. A seleção já faz a empresa mirar fornecimento para mercados externos. “É difícil gerar desenvolvimento com poucos recursos. Precisamos montar um laboratório e é uma área muito cara. O financiamento vai nos proporcionar criar um núcleo de pesquisa dentro da empresa. A gente visa com isso, futuramente, nos capacitar para atender não apenas o Sirius como outros aceleradores de partículas pelo mundo”, completou.

O que é

O Sirius será formado por um conjunto de aceleradores de elétrons de última geração e por até 40 estações experimentais, instaladas em um edifício em forma de anel que obedece à geometria do acelerador principal, com 518,4 metros de circunferência. A princípio serão 13 estações experimentais construídas. Sua infraestrutura será aberta e poderá ser usada por pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento. Atualmente, o prédio está em fase de construção e já tem 5% da estrutura pronta. Segundo Antonio José Roque da Silva, as obras estão dentro do cronograma e a previsão é de que fiquem prontas em 2018.