Publicado 16 de Julho de 2015 - 5h30

Campinas sempre foi um município especial, pleno de condições naturais favoráveis para o seu desenvolvimento, ao par de uma sociedade que sempre se destacou pelos seus méritos empreendedores, culturais, artísticos e sociais. Ao longo de sua história, soube acumular experiências importantes, desenvolveu-se economicamente em momentos-chave, soube superar dificuldades extremas como a epidemia de febre amarela, as crises políticas que chegaram à casssação de prefeitos e o assassinato de Antonio da Costa Santos. Nada abalou de forma insuperável a vocação de ser uma referência no Interior paulista, o que o credencia a um parâmetro nacional importante.

Mesmo diante de uma crise nacional que certamente terá reflexos em todos os níveis, ainda é tempo de incitar os campineiros a pensarem na cidade que desejam ter, quais patrimônios devem ser incorporados definitivamente ou transformados para redefinir o perfil de cidade, valorizando seus pontos positivos e fazendo os acertos que estiverem à mão, prontos para cumprir o desiderato de um futuro promissor, a realização de todas as possibilidades, o retorno do muito que se aplicou em qualidade de vida, em construção de um berço de crescimento sólido e sustentável, em uma estrutura que hoje tanta falta faz a outras regiões.

O desenho do que se pretende começa a ser traçado a partir de um sistema desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), que coleta opinião da população a respeito dos projetos desejados para os mais diversos fins, visando dados para compor o novo Plano Diretor de Campinas. A ideia é apurar necessidades, sugestões, propostas, pedidos que possam embasar um plano que contemple as principais aspirações da municipalidade (Correio Popular, 13/7, A6).

Não surpreende que as primeiras indicações apontem para reivindicações antigas, algumas absolutamente óbvias, por revelarem o quanto o desleixo administrativo prejudicou pontos da cidade com alto potencial turístico, de oferta de lazer para a população, ou de recomposição ambiental importante para o equilíbrio que se busca entre desenvolvimento e qualidade de vida. Importante que o trabalho resulte em um Plano Diretor técnico, completo e que reflita essa aspiração dos campineiros, pelo bem da cidade e da região, que não podem ficar na dependência de inspirações oportunas de administradores, que nem sempre visam a composição da cidade que todos desejam, mas dão lugar a reformas que cumprem o único propósito de dar visibilidade política, sem consequências positivas para o futuro.