Publicado 15 de Julho de 2015 - 5h30

Uma repositora de 29 anos foi atacada por um bandido armado quando estacionava em frente a um shopping, em Hortolândia, anteontem à noite. A mulher estava com a filha de 12 anos e o sobrinho de 6 anos no banco traseiro e chegou a implorar para o bandido liberar as crianças. O criminoso fugiu com o carro dela, um Fiesta, e documentos, mas foi preso pela PM de Campinas no Jardim Itatinga. O carro foi recuperado. Ninguém ficou ferido. O assalto foi por volta das 19h50. Mesmo a movimentação de pedestres e motoristas no entorno não inibiu a ação do bandido. A mulher e as crianças iam ao cinema. Ela abria a porta traseira do veículo quando viu o bandido se aproximar e dizer: “perdeu, perdeu”. O desempregado Tiago Henrique Santos Vasconcellos, de 26 anos, exigiu o veículo, mas, assustada, ela correu e tropeçou. Em todo o tempo, a mulher gritava por socorro e implorava para que o desempregado deixasse as crianças saírem do veículo. Ele acabou liberando-as e elas correram até a repositora. Vasconcellos foi pego em um terreno baldio no Jardim Itatinga por policiais da Rocam que patrulhavam o local. Com o desempregado a polícia achou a chave do veículo. Ele confessou o roubo e foi reconhecido pela vítima. O homem foi preso. (Alenita Ramirez/AAN)

Caso Mantovani tem novo aditamento em acordo

A Justiça de Jaguariúna fez ontem à tarde uma audiência de conciliação com as empresas envolvidas no caso de contaminação do Aterro Mantovani, instalado em Santo Antonio de Posse. O aterro recebeu entre 1974 e 1987 — quando foi fechado pela Cetesb — ao menos 326 mil toneladas de resíduos tóxicos descartados de forma inadequada e chegou a ser considerado pela Defensoria da Água como o pior caso de contaminação ambiental do País. Diante de proposta apresentada pelo Ministério Público, o juiz concedeu ontem um prazo de 45 dias para as empresas se manifestarem. O objetivo da ação é que as empresas paguem pelos danos causados.

Apenas as empresas rés Vitória Química, Shell e Cagico compareceram à audiência no Fórum de Jaguariúna. As três empresas manifestaram interesse em aderir ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que está em andamento. Esse TAC já teve 16 termos de aditamento e 38 empresas já aderiram ao documento — algumas já fizeram pagamentos para custear a remediação da área.

Na audiência realizada ontem em Jaguariúna, a Vitória Química, a Cagico e a Shell demonstraram interesse em aderir ao TAC e se prontificaram a apresentar proposta em cima de cálculo feito pela empresa gestora do aterro até o final de agosto. Após a realização do cálculo e apresentadas as propostas com cronograma físico-financeiro, será necessária a concordância das empresas que anteciparam os valores até agora, para que o acordo seja fechado. A empresa Itoil, que não é ré na ação, mas é investigada no inquérito civil e aderiu ao TAC e aos quatro primeiros termos de aditamento, também manifestou interesse em retomar a adesão.

O Aterro Mantovani recebeu resíduos de 61 indústrias, entre elas multinacionais como Petrobras, Bosch, Rhodia, Philips, Cargil, Embraer e Johnson & Jhonson. Em 1987, ele foi fechado pela Cetesb devido a uma série de irregularidades. Em 1996, o proprietário do aterro, Waldemar Mantovani, foi condenado a fazer a recuperação ambiental da área. A sentença, que prevê o pagamento de uma indenização, não foi executada porque não se conseguiu estimar o valor da indenização e também porque os bens do proprietário — indisponíveis desde 1996 — eram muito inferiores ao mínimo necessário para a adoção das medidas emergenciais.

Em setembro de 2001, Ministério Público e Cetesb fecharam acordo com cerca de 40 empresas que utilizaram os serviços do aterro, em que se comprometeram a tomar medidas emergenciais. Em 2004, de acordo com relatório da Defensoria da Água, a contaminação no Aterro Mantovani atingiu o Córrego Pirapitingui até as margens do Rio Camanducaia, cuja área de abrangência também afeta o Rio Jaguari, de modo que as análises das amostras de águas coletadas apresentaram níveis de contaminação muito superiores aos valores máximos permitidos pelo Ministério da Saúde. (Inaê Miranda/AAN)