Publicado 14 de Julho de 2015 - 5h30

Dez nascentes que ficam na área urbana de Campinas ganharam placas para indicar que a água que verte destes locais é imprópria para o consumo. A justificativa da Secretaria de Saúde é que essas minas são confundidas com fontes de água mineral, mas não são potáveis, já que não atendem aos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Prefeitura, essas nascentes são de fácil acesso à população e vulneráveis às contaminações do solo, com risco químico e bacteriológico.

O Departamento de Vigilância em Saúde informou que o uso das minas aumentou nos últimos meses por causa da crise hídrica. A praça Antônio Rodrigues dos Santos Júnior, na Vila Nogueira, é um dos locais que recebeu a sinalização na semana passada. O Correio constatou ontem que a placa de alerta havia sido retirada. Segundo moradores da região, algum vândalo teria arrancado a estrutura durante o fim de semana. Apesar de ser considerada imprópria, muitos se arriscavam a beber a água que verte da nascente. “Tomo sempre que venho na praça, conheço muita gente que leva de galão”, disse o porteiro Ezequiel Bento, de 49 anos. O padeiro Valdinei Lima de Castro, de 35 anos, foi outro que se arriscou. “Para mim nunca fez mal. Pego para levar para o meu pai que tem diabetes porque é muito boa. Tem gente até que vende”, contou. Os dois relataram que a população do bairro utiliza a bica no local há pelo menos 20 anos.

Enquanto a reportagem esteve na praça, o movimento na mina era intenso, com até crianças usando o local. A maioria das pessoas, porém, preferia apenas armazenar a água em grandes recipientes. O polidor de carros Ricardo André, de 35 anos, por exemplo, encheu ao todo 16 galões. Ele confessou já ter tomado a água, mas disse que hoje prefere levá-la para usar na limpeza da casa e de seu veículo. “A água da rua está muito cara. Muita gente usa a mina para lavar os carros de fim de semana”, afirmou. A Prefeitura informou que vai avaliar como colocará uma nova placa no local, por considerar que houve um crime contra o patrimônio público.

Segundo a coordenadora da Vigilância Ambiental de Campinas, Ivanilda Mendes, a população destes locais nunca foi orientada a tomar água dos mananciais, apesar disso ser tradição nos bairros. “A água não deve ser usada para o consumo humano porque não recebe nenhum tipo de tratamento ou controle. A ingestão para produção de alimentos e higiene pessoal deve ser feita com água potável, que é a do sistema público de abastecimento”, avaliou Ivanilda.

De acordo com a coordenadora, as nascentes não passaram por análise de qualidade individual por ser uma ação “inviável” e porque elas jamais passariam em todos os critérios e parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. “Não se analisa porque a água não é para recurso humano. É apenas um recurso natural.” Por não ter a qualidade conhecida, o seu consumo pode provocar diarreia ou outros problemas de saúde, dependendo das substâncias que apresentarem na composição.

Conscientização

Após a instalação das placas de alerta, o Departamento de Vigilância em Saúde promete continuar com o trabalho de conscientização. Haverá distribuição de panfletos sobre o fato dessas águas serem impróprias e ações integradas com os profissionais das unidades de saúde que ficam próximas às minas. “Para que as equipes fiquem atentas a qualquer situação na qual possam alertar a população sobre o consumo da água das nascentes. É uma ação mais cotidiana”, disse Ivanilda. Os técnicos também vão fazer, por exemplo, o monitoramento dos atendimentos por diarreia aguda ou qualquer outra situação que possa estar relacionada ao uso dessas águas não potáveis.