Publicado 13 de Julho de 2015 - 5h30

O futebol é inegavelmente o esporte que maior atenção desperta ao redor do mundo, mobilizando torcidas apaixonadas, clubes influentes, eventos relevantes, numa conjunção que acaba atraindo multidões em busca da alegria de acompanhar os jogos ou aqueles que vislumbram oportunidade de negócios milionários. Quando se pensava que a má gestão dos clubes fosse marca exclusiva entre os dirigentes brasileiros, o escândalo da Fifa trouxe à tona um escândalo de dimensão mundial, mostrando que o esporte, ao par da enorme atração que exerce no limite das linhas do gramado, é campo aberto para a corrupção.

Os clubes brasileiros vivem à míngua, com orçamentos estourados, dívidas altíssimas, clubes tradicionais encerrando atividades, times considerados grandes com salários e direitos de atletas atrasados em verdadeira lambança administrativa que contrasta com as espetaculares contratações de jogadores e treinadores por salários milionários que não condizem com a realidade do País, que dirá no meio esportivo. É um contrassenso um clube pagar até um milhão de reais por mês a um jogador e ser devedor ativo das contribuições e impostos para o governo.

Para colocar um freio na gastança irresponsável, a Câmara Federal aprovou na semana passada o texto-base da Medida Provisória que cria o Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), que estabelece o refinanciamento das dívidas em troca do cumprimento de critérios mais rígidos de responsabilidade fiscal , por parte dos clubes (Correio Popular, 8/7, B3).

São amplamente conhecidos os problemas que os clubes enfrentam por conta de administrações desastrosas, quando não mal-intencionadas, que transformam as sedes esportivas em balcão de negociatas que envolvem contratos de patrocínio, contratação de jogadores e técnicos, fraudes fiscais, inadimplência crônica, que se escondem por trás da glamourização do esporte, do apelo popular e mesmo da paixão das torcidas que, ao que parece, perdem o espírito crítico quando se trata de exigir competência e transparência dos dirigentes. O resultado são os abusos, os desvios de dinheiro, o endividamento e a correria para renegociar dívidas com o setor público.

A regra é clara: chega de corrupção e administrações desastrosas no futebol. Esta talvez seja a primeira medida séria a ser adotada para que o Brasil possa se orgulhar de ser novamente a Pátria do Futebol. Mas isso precisa ser demonstrado dentro e fora dos campos.