Publicado 13 de Julho de 2015 - 5h30

Muitos pais e professores do nosso tempo, atribulados e desorientados com os problemas com que se deparam na educação de jovens e adolescentes, com frequência lançam um desabafo carregado de saudosismo: “hoje em dia é tudo mais difícil. Antigamente os filhos e os alunos...”. Será que no mundo atual as pessoas nascem diferentes, com um gene a mais inserido no seu genótipo só para descabelar seus educadores?

Dramas e reclamações à parte, é inegável que educar hoje é uma missão desafiadora. Antes de nos lançarmos nela, porém, convém recordar que nossos filhos e alunos têm o direito de ser jovens e adolescentes. Não pretendemos, com isso, simplesmente relembrar um imenso rol de direitos, fartamente distribuídos no Estatuto da Criança e do Adolescente, sem atribuir as correspondentes obrigações, que deveriam acompanhar qualquer declaração de direitos. Quando nos referimos ao direito de ser jovem ou adolescente queremos ressaltar a correspondente obrigação de que os pais e professores sejam... adultos.

A observação parece óbvia. Afinal, ser pai, mãe ou professor de pessoas nessa idade implicaria, necessariamente, que já se tenha atingido a fase adulta. Será? Uma das maiores crises que enfrenta a nossa sociedade atual é de maturidade. Nessa fase atribulada das suas vidas, os filhos e alunos precisam de portos seguros. A sua rebeldia nada mais é que um testar e comprovar, dia após dia, a profundidade das nossas convicções, dos nossos valores, assim como a intensidade dos nossos amores. Assim, se chegam a essa fase e se deparam com pais também “adolescentes”, pulando de um relacionamento a outro, usando do trabalho apenas para obter proveitos egoístas, sem um sério empenho por construir algo que permaneça nessa sua curta e fugaz existência, por certo esses filhos ficarão desorientados e abatidos, principalmente por não encontrar a segurança onde tinham o direito de procurá-la.

Diante do fracasso – muitas vezes apenas aparente – na educação, é comum que pais e professores façam comparações, com outros alunos, irmãos, parentes etc. Nessas divagações, talvez nos ocorra pensar que uns já nascem melhores que outros, afinal, dirão, “educamos a todos igualmente...”. É preciso considerar, diante disso, que não há boa ou má semente. Todas são boas. No entanto, cada uma tem as suas peculiaridades, seu modo de ser e, principalmente, o seu tempo para despertar para os grandes e perenes ideais que fazem a vida valer a pena.

Mas se todas as “sementes” são potencialmente boas, nem todo terreno em que são lançadas são igualmente férteis. Eis aqui, portanto, o grande desafio do ambiente familiar. Muito se fala modernamente em ecologia, sobre a necessidade de se preservar o meio ambiente. E quando nos deparamos com locais preservados, ficou cunhada a expressão “santuário ecológico”. E é muito bom que sejam preservados, pelo bem das futuras gerações. Mas é preciso também preservar a mulher e o homem. E, para tanto, a família também já foi definida, com muita propriedade, como santuário da vida. E quando se atinge a adolescência, ainda que aparentemente os amigos e o grupo pareçam ser a única coisa que importa, é o momento em que os laços familiares devem estar mais fortes, ternos e acolhedores.

E depois devemos saber esperar. As virtudes do semeador não estão muito em moda. Na sociedade de consumo em que tudo acontece em um “clique”, queremos que os resultados das nossas ações educativas floresçam com a rapidez de um “download”. O bom agricultor, porém, não força a pequena plantinha que começa a desabrochar. Ao contrário, cerca-a de cuidados, dia a dia, protegendo-a das pragas, das ervas daninhas, que são más companhias e... espera. A paciência tudo alcança, já se disse também com muita propriedade. E os nossos filhos e alunos, chamados todos a uma missão sublime saberão encontrá-la no momento certo. E a nós, educadores, cabe apenas cuidar, ensinar, sobretudo com o exemplo e, principalmente, saber esperar.